José V. Claro - O nosso Miguel (Alvarenga) bem preconizou, aquando da reaparição no Colete Encarnado, que nada ia ser como dantes depois do regresso do genial João Salgueiro... que ontem em Almeirim voltou a dar um abanão fortíssimo na temporada com duas actuações "diferentes de tudo", sobretudo a segunda, com o quarto bravíssimo toiro de Veiga Teixeira que regressou ao campo. Quem sabe, sabe. E Salgueiro foi sempre um toureiro que marcou a diferença. Continua a marcá-la nesta nova etapa da sua histórica carreira.
Nesse quarto toiro de Veiga Teixeira chegou mesmo a sofrer um susto quando citou de praça a praça e sofreu aparatosa colhida (sem queda, por milagre), tendo o oponente passado por baixo do cavalo... mas a seguir recompôs-se, voltou a citar de largo e cravou o melhor ferro da noite.
João Salgueiro toureia na próxima sexta-feira em Elvas, no dia 3 de Outubro em Zafra e no dia 6 em Vila Franca, aqui outra vez com toiros de Veiga Teixeira.
O Miguel tinha razão - a temporada não foi a mesma depois do regresso de João Salgueiro!
E para essa renovação no cansativo registo do "mais do mesmo" contribuiu também este ano, de modo decisivo, outro regresso às arenas, o de Marcos Bastinhas, que por motivos de saúde estivera um ano retirado. Quase todos toureiam igual uns aos outros. As corridas são cansativas e são sempre "mais do mesmo". Bastinhas vai modificar essa seca...
Ontem em Almeirim esteve igual a si próprio, sempre diferente de todos, primeiro com um toiro de Veiga Teixeira e na segunda parte com um exemplar de Mata-o-Demo. Alegre, contagiante, a galvanizar o público.
Na próxima sexta-feira em Elvas voltam a encontrar-se Salgueiro e Bastinhas, desta vez com Rui Fernandes, alguém vai perder esta corrida?
Deixei o primeiro para o fim. Luis Pimenta tomou ontem a alternativa na praça da sua terra, como corolário de uma trajectória como amador e praticante que foi sempre em crescendo e a dar sinais de que estava ali "um caso", que não ia ser mais um igual a tantos.
O novo cavaleiro deixou uma mensagem importante para o futuro. Vai ser uma das grandes figuras da nova vaga. Vou sugerir um cartel para o próximo ano: Tristão Ribeiro Telles, Duarte Fernandes e Luis Pimenta.
Se ainda houvesse um empresário chamado Manuel Gonçalves, não tenho a mínima dúvida de que este trio iria dar muito que falar nos principais palcos da tauromaquia lusitana, a começar pelo Campo Pequeno. Mas Manuel Gonçalves já cá não está, infelizmente...
Luis Pimenta lidou com a cabeça no lugar e sem uma ponta de nervosismo o toiro da alternativa, de Mata-o-Demo, toiro exigente e sério, que o jovem cavaleiro entendeu na perfeição, aproveitando a sua boa qualidade para marcar com um grande sucesso a noite do seu doutoramento. Brindou esta actuação a seu pai, sua irmã (a cavaleira Mara Pimenta) e a um amigo.
A segunda actuação, ao sexto toiro da corrida, um sério e grande toiro de Veiga Teixeira, brindou-a ao seu dedicado apoderado, o antigo matador de toiros Sérgio dos Santos "Parrita", fechando com chave de ouro esta noite do seu importante passo em frente. Ferros de verdade, em terrenos de compromisso, a revelar um cavaleiro com futuro (muito) risonho pela frente.
Nesta corrida, bem dirigida por Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz, não foi fácil a noite para os forcados de Santarém e da Chamusca. Houve uma pega boa de cada grupo e depois sortes complicadas, incluindo dois forcados da Chamusca que resultaram lesionados (felizmente sem muita gravidade, ao que nos informaram) e foram dobrados por companheiros. Um foi o próprio cabo Diogo Marques, no segundo toiro; o outro foi Miguel Santos no quarto toiro.
Pelos Amadores de Santarém pegaram Manuel Campos (à terceira), Manuel Ribeiro de Almeida (à primeira) e Francisco Cabaço (à segunda).
Pelos Amadores da Chamusca pegaram Francisco Rocha (na sua primeira tentativa, terceira efectiva) a dobrar o cabo Diogo Marques (duas tentativas); Bernardo Galinha (também na sua primeira tentativa, que foi a terceira para pegar este toiro) a dobrar Miguel Santos (que fez duas tentativas); e Mauro Camacho (à primeira).
Ao início da corrida guardou-se um minuto de silêncio em memória do jovem forcado Luis Campino, do Grupo do Cartaxo, filho do embolador do mesmo nome (a quem os forcados da Chamusca brindaram a segunda pega da noite), que morreu aos 24 anos vítima de doença oncológica.
Resumindo: foi uma grande noite de toiros, revelou uma nova estrela - Luis Pimenta; reafirmou a força e a importância do regresso de um génio - João Salgueiro; (re)consagrou outro toureiro como "o mais diferente de todos" - Marcos Bastinhas; foi uma noite importante para o historial das ganadarias Veiga Teixeira e Mata-o-Demo; foi um sucesso feliz para a Santa Casa com a angariação de quase 63 mil euros para a sua importante obra social; fechou com chave de ouro a brilhante temporada da empresa Doses de Bravura, de Rui Bento e sua Família; e confirmou o que tinha escrito o nosso Miguel depois do regresso de Salgueiro no Colete Encarnado em Vila Franca - depois disto, nada vai ser igual nesta temporada. E não foi mesmo!
Fotos Fernando Clemente
| Aqui nasceu uma estrela: momento da alternativa |
| Alternativa brilhante de Luis Pimenta com o primeiro toiro, de Mata-o-Demo, pegado por Manuel Campos (Santarém) à terceira |
| Marcos Bastinhas: grande lide ao terceiro toiro (V. Teixeira) e uma pega brilhante de Manuel Ribeiro de Almeida (Santarém) |
| Salgueiro apoteótico, à antiga, na lide do quarto toiro (Veiga Teixeira), pegado por Bernardo Galinha (Chamusca) a dobrar Miguel Santos |
| Outra grande lide de Bastinhas no quinto toiro (Mata-o-Demo) e emotiva pega de Francisco Cabaço (Santarém) à segunda |
| Luis Pimenta: grande triunfo no último toiro, a fechar com chave de ouro a noite da sua alternativa e uma pega enorme de Mauro Camacho (Chamusca). A noite terminou em beleza! |
