 |
No video, momentos de um treino esta semana na ganadaria de San Pelayo; e na foto, Alejandro Amaya com Paco Velásquez |
Primeira figura dos matadores durante várias temporadas no México, o seu país natal, Alejandro Hank Amaya arrumou o traje de luces e iniciou uma nova carreira como cavaleiro tauromáquico. Já se apresentou em Portugal na praça de Vila Viçosa e é precisamente nesse mesmo cenário que neste domingo, 13 de Setembro, se vai estrear de casaca e tricórnio, honrando a arte equestre portuguesa numa corrida em que vai alternar com o Maestro João Moura, com João Ribeiro Telles e João Salgueiro da Costa, lidando um novilho da ganadaria San Pelayo, propriedade do antigo matador “Niño de la Capea”. A quase 24 horas da grande tarde, Alejandro Amaya falou da sua trajectória e confessou ao “Farpas” as grandes expectativas para esta corrida - que é transmitida em directo pelo canal OneToro.
Entrevista de Miguel Alvarenga
- Alejandro, depois de uma primeira apresentação em Portugal como cavaleiro nesta mesma praça, vai no domingo fazer a estreia de casaca e tricórnio. É assim que vai tourear a partir de agora? Trata-se de respeitar e homenagear o toureio equestre português?
- Obviamente, faço-o com muita responsabilidade e respeito. Desde há muitos anos vejo vídeos e assisto a corridas em Portugal e sempre tive a ilusão de vestir a casaca neste país que é a Pátria do toureio a cavalo, sonhando sempre conseguir fazê-lo a um bom nível. Domingo vou cumprir um sonho!
- No México, influenciados (e muitos deles, ensinados) pelo saudoso cavaleiro português Pedro Louceiro, vários cavaleiros toureiam trajados à portuguesa, manifestando o seu respeito pelo toureio a cavalo de Portugal. Conheceu Pedro Louceiro?
- Conheci o Pedro Louceiro, ele viveu em minha casa quando eu era pequeno. Posso contar um episódio passado com o Maestro. Recordo que fumava muito, e em uma ocasião adormeceu com o cigarro na boca e pegou fogo à cama... O meu pai tinha uma boa amizade com ele e eu agora tenho uma bonita amizade com os seus netos.
 |
No México, Alejandro Amaya já toureia de casaca. Aqui, numa recente corrida com Paco Velásquez |
- Carlos Arruza também foi cavaleiro depois de ter sido figura dos matadores. E Paco Ojeda igual. De alguma forma serviram de influências para a sua decisão de passar a tourear a cavalo?
- Não foi propriamente o exemplo deles que me influenciou para tomar a decisão, penso que o que mais me motivou foi sempre a grande paixão que tive pelo cavalo, sobretudo pelo cavalo Lusitano. O meu pai também através da coudelaria Caliente sempre nos proporcionou uma aproximação grande aos cavalos e nos demonstrou e inculcou sempre essa paixão. E também sempre me motivou muito continuar a sentir as investidas do toiro bravo, nesta nova faceta da minha vida como cavaleiro.
- Onde conheceu Paco Velásquez e de que forma também o exemplo dele, que foi matador e agora é cavaleiro, terá contribuído para esta "reviravolta" na sua carreira?
- Sem o Paco não seria possível ter iniciado esta nova faceta da minha carreira como matador. É claro que o seu exemplo me influenciou completamente. Paco é como um irmão para mim, desde muito jovem começou a treinar comigo aquando da sua etapa como toureiro a pé, foi nessa fase de matadores que nos conhecemos. Já é parte da nossa família e também está a frente da nossa coudelaria. Certamente sem ele não seria possível tudo isto .
- Fale-me da sua quadra de cavalos.
- Tenho a satisfação de poder apresentar dois cavalos com o nosso ferro , "Vasquinho" e "Deseado". Depois tenho o "Volapié", que foi o meu primeiro cavalo, o meu cavalo mestre. Mas cada vez mais tento montar-me em diferentes cavalos para sentir novas emoções e continuar a crescer.
- Como se define como cavaleiro tauromáquico?
- Penso que como cavaleiro tauromáquico sou como matador de toiros , igual como sou como pessoa. A minha experiência como matador de toiros deu-me uma certa maturidade para tudo na vida.
- Que expectativas para Vila Viçosa, ainda para mais sendo a corrida transmitida em directo pelo canal OneToro?
- Gostaria de poder desfrutar, que os “nervos”, que já tinha saudades de os sentir, me permitam brindar uma bonita tarde de toiros aos aficionados portugueses. Agradeço à OneToro, que também vai permitir que as pessoas minhas amigas no México e a minha família possam ver-me, e sobretudo espero que fique uma recordação inesquecível para mim com a presença de três toureiros figuras nesta tarde a meu lado, e sobretudo ver-me num cartel com o Maestro João Moura é para mim um grande orgulho.
Fotos D.R.
 |
| Ombreando com Pablo Hermoso num festejo no México |
 |
"Espero poder desfrutar e brindar uma bonita tarde de toiros aos aficionados de Portugal" |