segunda-feira, 6 de julho de 2026
31 de Julho: o toiro de Villamarta para o VIII Concurso de Ganadarias Ibéricas em Paio Pires
Este é o magnífico toiro da afamada divisa espanhola Villamarta para o VIII Concurso de Ganadarias Ibéricas que no próximo dia 31 deste mês de Julho, sexta-feira às 21h30, se realiza na bonita e bem cuidada Arena de Paio Pires, no Seixal - com cartel formado pelos cavaleiros Gilberto Filipe, Miguel Moura e António Prates e pelos focados de Lisboa e de Coruche.
Falar da ganadaria Villamarta é folhear uma das páginas mais douradas, românticas e respeitadas da história da Festa Brava. Nascida em 1914 pela mão e pela paixão de Álvaro Dávila y Ágreda, o visionário Marquês de Villamarta, esta divisa não é apenas uma marca no campo; é a criadora de um encaste próprio e irrepetível, moldado no início do século XX através de uma alquimia genética genial que fundiu os sangues mais puros da sua época. Nos dias de hoje é um toiro de morfologia bem definida, altos e com muita caixa, e com astes bem desenvolvidas.
Borja Jiménez esteve ontem em Vila Franca, não se limitou a passar por lá a correr...
Miguel Alvarenga - Portugal já não tem há muitos anos ídolos do toureio a pé. Também já não existem empresários que os criem, como tantos criou o grande Manuel dos Santos. Hoje em dia vem uma figura de quando em vez e já é um pau. Padilla ainda foi o último ídolo, há não muitos anos (lembram-se?), criado e fomentado por Rui Bento nos tempos últimos em que geriu a praça do Campo Pequeno.
Nos anos 60 e 70, Portugal teve ídolos nascidos na praça do Campo Pequeno. O empresário Manuel dos Santos trazia-os e repetia-os três, quatro, às vezes cinco vezes por temporada. O público ia vê-los. A Dámaso González anunciava-o como "o toureiro que empolgou Portugal". A "Paquirri" trouxe-o vezes sem fim, antes já tinham vindo Paco Camino e "El Cordobés", "Antoñete" e Palomo Linares, "Mondeño" e tantos mais. Já depois da sua morte, o Campo Pequeno continuou a criar ídolos quando assumiu a empresa o filho de Manuel dos Santos, Manuel Jorge Díez dos Santos.
"Niño de la Capea" e Francisco Ruiz Miguel foram dois dos últimos grandes ídolos do Campo Pequeno e do Portugal taurino da década de 70, trazidos à recordada Corrida da Imprensa, sempre na primeira quinta-feira de Agosto (agora dizem que é a pior data... antes era a melhor e que esgotava sempre!) pelos promotores da mesma, Raul Nascimento e José Sampaio.
Mais tarde ainda houve um último ídolo, Francisco Ramón "Currillo". E depois desse, mais nenhum.
Vem toda esta lembrança, mais ou menos saudade, mais ou menos nostalgia, a propósito da vinda ontem a Vila Franca do matador sevilhano Borja Jiménez. Rui Bento apresentou-o há dois anos na Nazaré e no ano passado trouxe-o também a Almeirim, onde alcançou bons triunfos. Passou também pela Ilha Terceira. Mas depois ficou esquecido, até Bernardo Alexandre se voltar a lembrar dele para a corrida do Colete Encarnado, ontem na "Palha Blanco".
Voltará mais alguma vez a qualquer outra praça? É um bom toureiro. Mas o mais certo é ficar outra vez esquecido...
E ainda nenhum empresário se lembrou de trazer Ismael Martín, a não ser os promotores da corrida do Ramo Grande na Ilha Terceira, que o levaram no ano passado e o repetem agora em Julho, tal foi o triunfo com que empolgou aqueles aficionados de solera dos Açores.
Esse reúne todas as condições para poder ser um ídolo de Portugal. Tomem nota.
Por agora, fiquem com os melhores momentos das duas faenas de Borja Jiménez ontem em Vila Franca, a dois toiros da ganadaria Condessa de Sobral com presença e algum trapio, com transmissão, que "se deixaram tourear" e frente aos quais o diestro sevilhano esteve empenhado, esforçado, arrimando-se e entregando-se com elevada dose de arte e profissionalismo. Os dois toiros que enfrentou, em terceiro e sexto lugar, acusaram, por coincidência, o mesmo peso de 490 quilos. Borja Jiménez brindou a primeira faena ao público e a segunda ao ganadero Manolo Vásquez Gavira, proprietário da antiga ganadaria portuguesa Condessa de Sobral.
Nota alta para os bandarilheiros espanhóis da quadrilha de Jiménez e para o português João Ferreira, um craque com as bandarilhas, que agradeceu de montera em mão depois do grande par que colocou no terceiro toiro da tarde.
Como já aqui escrevo ontem, Borja Jiménez esteve em Vila Franca. Não se limitou a passar por lá a correr, como às vezes acontece com algumas das estrelas que aqui se anunciam.
Fotos M. Alvarenga
Salgueiro e Moura Júnior: os melhores momentos de ontem na "Palha Blanco"
Miguel Alvarenga - Três anos depois da sua última actuação em público (2023 na praça da Nazaré), João Salgueiro regressou ontem às arenas na mítica praça "Palha Blanco" e tudo o que tinha a dizer dele já ontem aqui escrevi. Voltou com 58 anos, sem comodismos, sem toirinhos "nhoc-nhoc", com toiros de verdade da exigente ganadaria Condessa de Sobral, decidido a "pôr ordem na casa" e a apertar forte com os acomodados companheiros habituados à pasmaceira do mais do mesmo. Aguentem-se à bronca, que ele não veio para brincar... E a temporada mudou ontem em Vila Franca, acreditem. Nada vai ser como dantes a partir de agora...
Salgueiro esteve magistral na segunda lide. Na primeira, nem por isso. Falhou três ferros, não perdeu o norte, mas também não ganhou o sul... O toiro foi o pior dos seis e Salgueiro, apesar da muita vontade demonstrada, não teve opções. Deixou apontamentos. No quarto a música foi outra. E voltaram os ferros à Salgueiro, que não se viam há algum tempinho.
João Moura Júnior está no trono há já alguns anos e não mostra vontade de sair de lá. É indiscutivelmente o primeiro e ontem em Vila Franca deixou isso bem patente numa primeira lide de altíssimo nível e depois numa segunda de cátedra, com um toiro belíssimo de Condessa de Sobral que foi no fim premiado com volta à arena e com volta também do ganadero Manolo Vásquez.
Salgueiro brindou as duas lides ao público. Moura Jr. brindou a sua primeira actuação a João Salgueiro e a segunda ao público, dedicando no final um ferro a seu pai.
Ficam alguns dos melhores momentos das lides de Salgueiro e Moura. A seguir vamos mostrar os momentos altos das faenas de Borja Jiménez.
Fotos M. Alvarenga
| Salgueiro não quis comodidade no regresso às arenas: toureou toiros de verdade e competiu com o número-um do toureio a cavalo, João Moura Jr. |
| Salgueiro na primeira lide: teve vontade, não teve toiro e faltou pontaria, os três primeiros curtos foram para o chão... |
| Moura em grande no segundo toiro da corrida, lide brindada a João Salgueiro. Um bom Condessa, um grande cavaleiro! |
| No quarto toiro, a música foi outra. Houve Sinfonia Salgueirista como nos tempos antigos! |
| Actuação de cátedra de Moura Jr. no quinto toiro de Condessa de Sobral, um toiro de bandeira premiado com volta à arena antes de ser recolhido e com volta do ganadero e do maioral |








