A história de Sérgio dos Santos começou na Escola de Toureio da Moita, onde o professor Armando Soares o baptizou, como fazia a todos, com o nome artístico de um antigo toureiro - ficou “Parrita”. Com 14 anos, estreou-se num festejo celebrado em Cacém. Foi promissor novilheiro e chegou à alternativa em 25 de Abril de 2004, recebendo-a numa da mais antigas praças de toiros de Espanha, a de Las Virtudes, em Ciudad Real. Fernández Pineda foi o padrinho e a testemunha foi o rejoneador José Luis Cañaveral. Os toiros eram de Tornay e “Parrita” cortou uma orelha ao segundo do seu lote. O histórico Fernando Camacho chegou a apoderá-lo e a garantir que tinha em mãos “um novo Pedrito” - mas a profecia não se cumpriu. Em 2014, desiludido com o rumo que levava o toureio a pé neste país, retirou-se e passou a bandarilheiro, acumulando agora também a missão de apoderado. Primeiro foi da cavaleira Mara Pimenta, agora é do irmão dela, Luis Pimenta, que este ano tomou a alternativa e é referenciado, juntamente com Duarte Fernandes, como uma das grandes revelações desta temporada. Foi sobretudo desse ambicioso projecto que quisemos conversar com o Sérgio.
Entrevista de Miguel Alvarenga
- Parrita, comecemos pelo balanço desta sua nova faceta de apoderado. Foi promissor novilheiro, digno matador, é um bom bandarilheiro, como foi que “apareceu” este desafio para ser apoderado do cavaleiro Luis Pimenta?
- Como referenciou tenho desde muito miúdo uma vida ligada ao toiro como profissional. O desafio começa por ter apoderado a Mara Pimenta, irmã do Luís, e ver o Luís a dar os primeiros passos e achar que tinha um talento enorme, começa por tentar ajudá-lo em alguns conselhos e o resto veio naturalmente pela excelente relação que temos, como família!
- Quando aceitou esse desafio, o Luis Pimenta era quase um ilustre desconhecido da aficion portuguesa. Falava-se que era irmão da Mara Pimenta, mas nunca ninguém o tinha visto tourear. Acreditou nele na primeira hora?
- Sim, era um desconhecido taurinamente até começar a tourear os primeiros espectáculos, mas depois mostrou logo aquilo em que eu acreditava: que tinha um enorme talento e que marcava a diferença em muitos aspetos. Eu era suspeito, pela relação que tinhamos, mas logo aí viu-se que eu tinha razão, com o feedback dos aficionados e das empresas. Estava muito verde a nível técnico, mas com o desenrolar da carreira foi evoluindo de forma precoce muito positivamente. Tenho sentido diariamente que foi uma aposta ganha!
- Na temporada de 2025, Luis Pimenta era já referenciado como “uma promessa” e já dava sinais de que não ir ser “só mais um”. As coisas tornaram-se mais fáceis?
- A temporada 2025 foi a primeira temporada dele, onde tirou a prova de praticante e em 2026 toma a alternativa. Foi tudo, sem dúvida, demasiado precoce, mas derivado ao crescimento dele tão rápido, o caminho mostrou e colocou-o num patamar elevado a nível técnico e artístico, algo que na minha opinião só aos predestinados acontece! As coisas fáceis não são, porque mesmo a justificar todos os dias dentro da praça, existem sempre alguns lobbies que o deixam de fora injustamente, mas isto é mesmo assim e o Luís está mentalizado e preparado para esta luta e para fazer frente às injustiças, por isso dá a cara todos os dias para tentar contrariar essas contrariedades.
- Foi uma alternativa triunfal, o seu telefone começou a tocar?…
- Foi um dia mesmo muito especial, foi um misto de emoções, a forma como trataram o Luís, os companheiros de cartel, o público, a Santa Casa e o Maestro Rui Bento, toda a gente foi especial! Artisticamente foi um grande triunfo que lhe irá abrir muitas portas. Não podemos esperar que o telefone toque, tenho de ligar eu… mas sim, já vai tocando!
- O Luis termina a temporada actuando nas duas últimas corridas do ano, dia 31 em Évora e dia 1 de Novembro no Cartaxo. Qual é o balanço que faz desta campanha/2026?
- O Luis toureia ainda dia 31 em Évora, 1 de Novembro no Cartaxo e dia 7 ainda tem um festival em Espanha. O balanço foi muito positivo, começamos sem saber o que iria acontecer e sem dúvida que foi muito gratificante os triunfos e os passos que demos. Como equipa, trabalhamos sem objetivos de tourear x corridas, mas sim tourearmos o que fosse surgindo, mas com dignidade e categoria, e isso foi conseguido e estamos muito satisfeitos.
- Já pode dar-nos conta de alguns projectos para 2027?
- Em 2027 vamos basear-nos no mesmo objetivo, corrida a corrida e no fim fazemos as contas, penso que vai ser uma temporada demasiado importante, onde acredito que iremos entrar em cartéis de grande nível nas primeiras praças do nosso panorama taurino. Já estou em contacto com algumas empresas e as coisas vão num bom caminho, penso que vai ser uma grande e importante temporada de afirmação e de coisas muito bonitas, mas para já vamos acabar esta em grande nível. Esse é, para já, o nosso objetivo.
Fotos M. Alvarenga, D.R. e Fernando Clemente

































