Fernando José (texto e foto) - Integrada no programa das festas em honra de Nossa Senhora da Nazaré realizou-se na noite do passado sábado a última corrida da temporada, uma noite memorável num ambiente de excelência à identidade de um povo que começou nas escadas do Santuário com um Procissão de Velas pelas ruas do Sítio - onde marcaram presença todas as figuras da Festa - terminando com uma volta à praça, seguindo-se o Fado pela voz de Teresa Tapadas.
Abriu praça António Ribeiro Telles, que teve pela frente um toiro da sua ganadaria, em que assinou uma lide de mestria, plena de arte, tanto na escolha dos terrenos como na cravagem, toureou com alegria, nota alta para o segundo e quarto ferros curtos, o público gostou, aplaudiu e o cavaleiro da Torrinha saiu da praça de braços abertos.
Da mesma "casa" entrou Manuel Telles Bastos, que esteve esforçado, mas encontrou pela frente um manso que se limitou a fixar-se nos médios não permitindo grande brilho ao cavaleiro, que deixou a ferragem da ordem, mas "sem ovos... não se fazem omeletas"...
Já no terceiro a história foi outra, ou melhor, fez-se História. Motivado com o triunfo na noite anterior no Campo Pequeno, Miguel Moura teve pela frente um Passanha de "alta rotações" que o obrigou a dar quatro voltas à arena de "prego a fundo", um bom sinal para o cavaleiro de Monforte que a seguir, sem exageros, assinou com letras de oiro, a lide da temporada nazarena.
O ginete esteve genial, tanto na cravagem, como na escolha dos terrenos, como na brega, nos largos ladeios junto da trincheira levaram o público a aplaudir de pé. Miguel Moura aproveitou as excelentes qualidades do toiro e no final, além do forcado, chamou justamente o maioral da ganadaria para repartirem os fortes aplausos.
Com a "bitola" já muito alta, chegou a vez de Parreirita Cigano mostrar a sua arte, mas teve pela frente um toiro que não lhe permtiu um grande triunfo, pouca entrega, mostrava umas arrancadas, mas depois parava, o cavaleiro não baixou os braços e mercê do seu muito querer e do seu grande valor deixou boa nota nos últimos dois ferros.
Diz o ditado que "não há quinto mau", mas desta vez António Prates não teve a tarefa fácil com um Passanha "rijo" que não falicitou a lide ao jovem cavaleiro de Torres Novas - que começou com algumas passagens em falso, depois foi-se ajustando, subindo naquilo que se pode afirmar "uma lide de menos a mais".
Já a noite ia longa, saíu à praça uma "estampa" de Ribeiro Telles, mas uma má entrada deixou danos no animal que acabou por cair por terra, gerou algumas dificuldades de recolha, saindo depois o sobrero de 600 quilos que logo de inicio fez estrago "apertando" de forma feia Paco Velásquez juto às tábuas felizmente sem danos para cavaleiro e cavalo, mas...fez a sua mossa. O cavaleiro de Riachos nunca mais se encontrou, teve algumas passagens em falso, toiro com pouca investida, deixando triste Velásquez que tinha conquistado ali um triunfo grande presisamente um ano antes na mesma data.
Já quanto às pegas, as coisas não estiveram fáceis para os rapazes das jaquetas. Manuel Valadas, dos Amadores de S. Manços, no primeiro toiro concretizou à terceira tentativa, depois de fortes derrotes nas duas primeiras.
No segundo toiro, João Armando, dos Amadores do Aposento da Chamusca, teve tarefa árdua, o toiro mal sentia algo na cabeça "espantalhava" tudo, pese embora as boas entregas dos seus colegas. A pega foi concretizada à quarta tentativa a sesgo.
Com o ambiente a "escaldar" fruto da actuação do Miguel Moura, o forcado António Perloiro Appleton, dos Amadores de Caldas da Rainha, também entrou na "festa", arrimou-se, esteve nobre, o toiro levantou-o bem alto, mas o grupo fechou-se bem e ficou muito bem classificado entre as melhores pegas da temporada nazarena.
O quarto da noite foi para as mãos de Rodrigo Grilo, dos Amadores de S. Manços, que se fechou bem à primeira tentativa.
O quinto da ordem, foi para Vasco Coelho dos Reis, do Aposento da Chamusca, que citou bem, aguentou vários derrotes, as ajudas estiveram no seu "tempo certo" e encerrou-se à primeira tentativa.
Para último veio a "fava", um comboio com 600 quilos "bem pesados" que fez a vida negra aos Amadores de Caldas da Rainha. Joaquim Lino, com a sua raça tudo fez para ficar na cara logo na primeira tentativa, mas um forte derrote fê-lo saltar fora. Na segunda tentativa as coisas ficaram feias quando o seu primeiro ajuda foi atirado ao chão e colhido, ficando inanimado, viveram-se momentos de alguma apreensão, mas a recuperação aconteceu. Lino não desistiu e concretizou à quarta tentativa com ajudas bem caregadas.
A Banda Filármonica de Arruda dos Vinhos abrilhantou a corrida que foi superiomente dirigida por José Soares acessorado por José Luís Cruz.
Um fim de temporada brilhante na Nazaré, com esta corrida esgotada - a segunda do ano que encheu por completo as bancadas da carismática praça do Sítio, depois da Corrida "Farpas" em 15 de Agosto.
Um trabalho louvável e brilhante do empresário Rui Bento e da sua equipa, sobretudo de seus filhos, da empresa Doses de Bravura. E para o ano há mais!
Durante este dia de segunda-feira, não perca a reportagem fotográfica com os melhores momentos desta última corrida na Nazaré.









