Miguel Alvarenga - Vamos ver agora as sequências das seis rijas pegas da encerrona dos Amadores de Alcochete ontem na tradicional corrida de Concurso de Ganadarias na sua praça - em que se lidaram exemplares de Ribeiro Telles (ganhou o prémio bravura), Joaquim Brito Paes, Passanha (ganhou o prémio de apresentação, sendo lidado em sexto lugar outro exemplar da mesma ganadaria, o sobrero que substituiu o toiro manso de Lopes Branco, mandado recolher apesar de a única "anomalia" que evidenciou se chamar apenas... mansidão!), Cunhal Patrício e Branco Núncio.
Os forcados Amadores de Alcochete, de novo com os antigos cabos (pelo menos João Pedro Bolota e Nuno Santana) ao lado do grupo, protagonizaram uma tarde dura e de triunfo, como manda a tradição, com cinco rijas e emotivas pegas e, no fim, uma festa quase estragada com uma tentativa de pegar de cernelha o possante e poderosos sobrero de Passanha, que durou quase meia hora, acabando o toiro por ser pegado de caras à terceira tentativa pelo heróico Miguel Direito (que já ali estivera no papel de cernelheiro), quase desfeito...
Miguel Cruz pegou o primeiro toiro (de R. Telles) à segunda tentativa, com boas ajudas dos companheiros e depois de ter sofrido um duro derrote na primeira. Brindou a pega a Fernando Pinto, presidente da Câmara de Alcochete, que honrou a tauromaquia e as Festas do Barrete Verde com a sua presença no camarote.
A segunda pega, ao toiro de Joaquim Brito Paes, foi consumada à primeira, com decisão e excelente técnica, por João Pereira, que brindou ao público - o jovem forcado é filho de Mendes Pereira, recordado forcado do Grupo de Lisboa. E quem sai aos seus...
Para a cara do terceiro toiro da tarde (Passanha) saltou à arena, outra vez e depois do momento triunfal que ali viveu na noite de sexta-feira, o pequeno-grande Pedro Nascimento (19 anos), a grande revelação desta temporada no que à forcadagem diz respeito. Cara de menino, postura e ar sério de forcado adulto, brindou aos Bombeiros, esteve bonito a citar, enorme a receber e a fechar-se com galhardia e um par de braços do outro mundo, aguentando altos derrotes agarrado que nem uma lapa à cabeça do toiro. Saíu a sorrir, como se não fosse nada com ele. Este forcado está a fazer história e vai dar muito que falar - acreditem.
O quarto toiro, de Cunhal Patrício, foi pegado ao segundo intento (na primeira abordagem, foi derrotado com uma sacudidela para o lado) pelo jovem cabo António José Cardoso, que desde os 16 anos nunca deixou de pegar no Concurso de Ganadarias na sua praça. Brindou a sua pega ao reputado médico neurocirurgião ortopedista Manuel Passarinho, um grande amigo dos forcados de Alcochete. Contou com uma primeira ajuda poderosa e decisiva do consagrado Gonçalo Catalão, que depois o acompanhou na volta à arena com Rui Fernandes.
Vitor Marques, um dos pesos-pesados do grupo, forcado experiente e de aprumada técnica, brindou à Banda de Alcochete (o grupo brinda sempre nesta encerrona uma das pegas aos músicos da terra) e pegou com brilhantismo, à primeira, o poderoso toiro de Branco Núncio, quinto da tarde.
O toiro sobrero de Passanha, último da corrida, saíu à arena quando já tinha anoitecido. E, em semana de anunciado eclipse, acabou por eclipsar o sucesso das cinco pegas anteriores.
Miguel Direito (cernelheiro) e João Ferreira (rabejador) saltaram à arena com a intenção de realizar uma pega de cernelha e brindaram aos ex-cabos João Pedro Bolota e Nuno Santana (que estavam a seu lado na trincheira) e Vasco Pinto (que assistiu à corrida num camarote), mas a coisa complicou-se...
Pese embora o esforçado labor dos campinos, o toiro não encabrestava e várias foram as vezes em que os dois valentes forcados tiveram a cernelha quase consumada, mas depois nunca a acabavam por efectuar. Aquilo prolongou-se por um tempo interminável. Como já aqui escrevi, os forcados contaram a condescendência e o bom senso do director de corrida Ricardo Dias, que foi deixando aquilo andar sem mandar recolher o toiro, apesar de se terem excedido todos os limites de tempo...
Com a cernelha já fora de questão, depois de diversas tentativas nunca concretizadas, foi a vez de tentarem pegar o toiro de caras, em sorte a sesgo, mas o exemplar de Passanha, poderoso, cheio de sentido, levou-os todos pela frente nas duas primeiras tentativas, acabando Miguel Direito, já brutalmente mal tratado, por salvar a honra do convento concretizando à terceira tentativa, com muitos companheiros a ajudarem.
Parecia um campo de batalha, mas finalmente acabou sem feridos.
Fique agora com as fotos das sequências das cinco rijas pegas de caras e desta sexta que começou por ser de cernelha e meia-hora depois acabou também por ser de caras.
Mais logo, mostraremos os melhores momentos das lides dos cavaleiros Rui Fernandes, João Ribeiro Telles e Luis Rouxinol Júnior.
Fotos M. Alvarenga
| A primeira pega, ao toiro de Ribeiro Telles (prémio de bravura) foi consumada à segunda por Miguel Cruz, que brindou a Fernando Pinto, presidente da Câmara de Alcochete |
| Segunda pega, ao toiro de Joaquim Brito Paes, executada com brilhantismo por João Pereira à primeira tentativa |
| Grande pega do consagrado Vitor Marques, à primeira, ao poderoso toiro de Branco Núncio, que brindou à Banda de Alcochete |
