sábado, 2 de janeiro de 2021

GFA de Alcochete: meio século de glória a honrar a arte de pegar toiros

O emblemático e glorioso Grupo de Forcados Amadores de Alcochete comemora este ano meio século de actividade e deverá celebrar oficialmente a efeméride em Agosto na sua praça durante a Feira Taurina do Barrete Verde. Foi fundado a 24 de Junho de 1971 numa célebre reunião efectuada no Moinho de Vento no Canto do Pinheiro de Alcochete.


Estiveram presentes nessa reunião os forcados João Perinhas Mimo, Gregório Bolota, José Barrinha da Cruz, Francisco Sequeira, Aníbal Pinto, Alberto Silva, José Pinto, Estêvão Augusto de Oliveira, Filipe Sequeira, Manuel Pinto, Augusto Henrique de Oliveira, António José Pinto, João Rei, João Barata da Silva, Manuel Jorge Marques António Manuel Cardoso, aos quais se juntaram os amigos António Seabra da Cruz, António Faria dos Santos, Francisco da Costa Salvação, Paulo Penim, Vítor Marques e Joaquim da Costa Godinho.


João Mimo foi o cabo fundador do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, que se apresentou pela primeira vez em praça, a 21 de Agosto de 1971 na Monumental do Montijo perante seis toiros de Rio Frio.


Na sua página web, o GFA de Alcochete recorda João Mimo pelo "seu forte poder de organização, capacidade de liderança, flexibilidade e sensibilidade para lidar com tão ingrata tarefa de conduzir um novo grupo". O cabo fundador capitaneou o grupo até Abril 1984, ano em que se despede, em Alcochete, perante toiros de Paulo Caetano. Após catorze épocas de chefia sábia, entrega ao seu sucessor um Grupo bem consolidado, prestigiado e com os seus princípios bem definidos.


António Manuel Cardoso, o saudoso "Nené", foi o forcado eleito para comandar o Grupo entre 1984 e 1995. É sob a sua responsabilidade que, nesta década, o grupo não só atinge o topo da tauromaquia nacional, como a tragédia lhe bate à porta. A morte repentina, e em tão pouco tempo, de dois jovens forcados na posse de todas as faculdades físicas e técnicas para pegar toiros, deixa o Grupo chocado e abalado durante muito tempo.


"Nestes momentos duros, difíceis e dolorosos, emergiu um enorme sentido de unidade de todos quantos vestiram a sua “jaqueta” e, em conjunto, foi possível ultrapassar esta fase mais crítica. Queremos realçar também a solidariedade de todos os outros grupos. A força e a união do Grupo fizeram com que este período difícil fosse ultrapassado, com muito sofrimento é certo, mas vencido e com a certeza de ter tornado o Grupo mais forte perante qualquer adversidade", lê-se na página oficial dos Amadores de Alcochete


António Manuel Cardoso retira-se a 31 de Agosto de 1995, na praça de toiros do Campo Pequeno, com toiros de António Coelho CharruaSucede-lhe João Pedro Bolota. Forcado de eleição, de vida dedicada à arte de pegar toiros e ao seu Grupo, este cabo mantém o Grupo durante o seu comando na senda dos antecessores com actuações de grande mérito e presenças assíduas nas melhores feiras taurinas, permitindo ao Grupo continuar a figurar no escalafón dos “Românticos” da Festa Brava.


A 1 de Julho de 2007, em Alcochete, e perante um curro de toiros de Pinto Barreiros, João Pedro Bolota despe a jaqueta das ramagens após uma carreira de 33 anos de forcado em que se destacou sobretudo como maior primeiro-ajuda dos últimos anos e entrega o comando a Vasco Pinto, filho de outro grande forcado do Grupo, António José Pinto


Empenhado, orgulhoso da terra e do seu grupo, Vasco Pinto empregou-se durante nove anos numa liderança de mobilização e congregação da família Amadores de Alcochete emprestando-lhe uma visão actual e activa. Notabilizando-se como um dos melhores forcados da sua geração, Vasco Pinto, despede-se das arenas ao final de 18 anos de forcado na corrida comemorativa do 45º Aniversário do Grupo, no dia 17 de Junho de 2016, reunindo em sua volta mais de 100 forcados fardados entre antigos e actuais, entregando a liderança a Nuno Santana.


Nuno Santana, forcado experiente e de vida dedicada aos Amadores de Alcochete, tem dado continuidade a uma liderança de proximidade e coesão entre todos os elementos. Ao longo do seu trajecto como cabo já teve de lidar com a difícil situação de perda de um elemento, Fernando Quintella, em consequência de uma colhida na praça de toiros da Moita, a 15 de Setembro de 2018. Conhecedor do ADN do Grupo tem transmitido aos mais novos a exigente missão de representar os Amadores de Alcochete.


No historial do Grupo, constam actuações em todo o país e ilhas, Espanha, França, México, Canadá e Estados Unidos da América. De realçar a presença na maior praça de toiros do mundo, a Monumental Plaza México, no dia 1 de Janeiro de 2018, e também na primeira Corrida Goyesca com forcados, aquando do 2º bicentenário da praça de toiros espanhola de Ronda, realizada a 7 de Setembro de 1985, na qual foram pegados dois toiros em pontas da ganadaria de Belén Ordoñez.


Fotos D.R.


Três históricos cabos dos Amadores de Alcochete: o fundador
João Mimo, António Manuel Cardoso (Nené) e João P. Bolota
O GFA de Alcochete há três anos na Monumental do México