domingo, 5 de junho de 2022

Qualquer coisa não bate certa no reino da tauromaquia...

Miguel Alvarenga - Não é uma crónica porque não estive lá. Estive antes a cumprir os deveres de Avô - que adoro! É, apenas e só, um desabafo. Que também pode ser, mais ou menos, revolta. Revolta pela Festa que temos. Ou, se calhar, iludimo-nos a pensar que temos - e não temos.

Quando uma empresa - no caso, a dinâmica e empreendedora Toiros & Tauromaquia, dos meus queridos "Nenés" - faz um esforço destes, monta um cartel único, traz a primeira figura de Espanha e dois dos maiores cavaleiros portugueses, um grupo de forcados que não precisa de apresentação, aposta na diferença e procura dar dignidade e esplendor à tauromaquia - e depois, o público não corresponde e deixa a praça de Alcochete, já de si das mais pequenas do país, a "meia haste", valha-me Deus, posso estar enganado, quero estar enganado, mas qualquer coisa não bate certa no reino da tauromaquia lusa...

Pensem, repensem, meditem, voltem a meditar e vejam se, na realidade, vale a pena dar nozes a quem não tem dentes... Se Alcochete não esgotou, como se impunha e a empresa e a Festa mereciam, com "El Juli"...

(Do resultado artístico da corrida, que foi fantástico, quer, pelo que me contaram, pelos triunfos arrebatadores dos cavaleiro João Telles e Francisco Palha, dos valentes forcados Amadores de Alcochete e de "El Juli", que esteve muito bem, apesar de ter enfrentado toiros algo aquém do que se impunha... traremos aqui mais logo uma reportagem fotográfica do nosso companheiro José Canhoto).

Fotos D.R.