
Com a autoridade que lhe advém de ter sido um inesquecível e marcante Forcado dos Amadores de Vila Franca e de ser um grande e entendido aficionado que sempre continua a acompanhar o seu grupo, para lá do amor e da paixão que nutre, naturalmente, por Vila Franca de Xira e pela sua praça "Palha Blanco", Paulo Paulino (foto ao lado) publicou na sua página da rede social Facebook uma importante e actualíssima reflexão sobre o que de mau se passou nesta última mini Feira taurina de Vila Franca. Uma análise deveras pertinente que, com a sua autorização, que agradecemos, aqui repoduzimos na íntegra e com a devida vénia.
É urgente reflectir sobre tudo o que de mau se passou nesta última mini Feira taurina de Vila Franca e optar na adopção do rumo que se pretende dar à nossa tauromaquia. Sim, porque o que se passou é bem mais abrangente do que um "mero" ataque localizado a um dos bastiões da tauromaquia nacional. Só me vem à cabeça comparar a “Palha Blanco” a um órgão vital de um organismo vivo, que foi atacado e que sem o tratamento adequado dissemina o problema por todo o organismo. É fácil imaginar o resultado final disso, infelizmente.
Alguns proprietários de praças de toiros de referência apenas se preocupam com o lucro imediato, fazem concursos mais ou menos translúcidos para atribuir temporalmente a gestão do espaço e lavam as mãos do assunto, esquecendo-se entretanto de juntar sabão para a sujidade toda sair. Era assim tão difícil procurar dar credibilidade e atribuir responsabilidades nestes negócios? É mais importante a fasquia financeira imediata, todos sabemos como estas coisas funcionam, mas também se sabe que é perfeitamente viável juntar um componente de acompanhamento técnico, simples, objetivo, responsável e com o poder necessário para ajudar a garantir que não se trata de uma gestão ruinosa que vai mandar para a lama o prestigio antes adquirido. O único acompanhamento actualmente efectuado é o contabilístico pelo que, pagando, está tudo correcto e quem vier atrás que feche a porta.
Competência não é andar bem metido num determinado meio, ter um paleio marcado pelo dinamismo, meios de angariar algum dinheiro para gastar que depois se recupera e ainda se ganha algum com recurso a expedientes de nível duvidoso. Competência é ter capacidade para cumprir objectivos criando valor acrescentado e por inerência, valorizando a própria imagem. Se não se é competente em determinada área, não se invente nem se estrague, basta tentar perceber quais são as limitações existentes tendo a humildade necessária para reconhecer os erros, aprendendo com eles ou, em alternativa, que se deve mudar de área.
Amanhã já é tarde para encarar este problema de frente e sem demagogias bacocas.
Paulo Paulino
Foto Vitor Besugo