Aplauda-se o empresário "Nené" - pela coragem (penso que é obrigação de contrato) de montar uma corrida a pé.
Durante muitos anos, disse-se que a Moita era "a praça do toureio a pé"... já que Vila Franca tinha deixado de o ser...
O cartel de ontem tinha dois toureiros estrangeiros - o espanhol Lopez Chaves a substituir Fandiño e o francês Juan Bautista - e o matador local Luis "Procuna", ainda e depois de Vitor Mendes, o diestro português mais activo nas nossas temporadas.
Para os empresários, é sempre preso por ter cão e preso por o não ter. Se se monta um cartel com portugueses, é porque não têm força de bilheteira para levar público à praça... se se trazem estrangeiros, é porque não têm nome aqui e o público não tem interesse em ir...
As bancadas da Moita registaram ontem menos de um terço de casa. É a "força" do toureio a pé em terras de Portugal... Vale a pena um empresário arriscar? Façam uma estátua ao "Nené"! Agradeçam-lhe por ter corrido o risco de montar esta corrida.
Chaves andou e Bautista esteve mais inspirado no segundo, se calhar pelo brinde ao Maestro Mendes. O triunfador foi "Procuna" (fotos) no último da noite. Artista com o capote, brilhante com as bandarilhas (um par colossal) e muito mais apurado com a muleta, que era o seu calcanhar de Aquiles. Está um toureiro! Talvez não lhe valha de nada. Triunfou perante um núcleo reduzido de aficionados. Mas também não há muitos mais para ver toureio a pé... ou acham que há? O Campo Pequeno teve este ano as casas mais fracas quando entraram toureiros a pé...
Nos últimos anos (trinta) o toureio a pé em Portugal chamou-se e continua a chamar-se Vitor Mendes! Há um "Procuna" que se mantém e luta por também manter acesa, contra o vento, a chama do toureio a pé. Mas é uma luta inglória e perdida à partida. Veja-se o público que ontem foi à Moita... E há agora uma esperança chamada Tiago Santos. O resto...
Fotos Fernando Clemente/parartemplarmandar.blogspot.com


