| Toureou assim, com esta emoção e verdade, o jovem Mateus Prieto, que ontem recebeu a alternativa |
| Maestria de Bastinhas: a veterania é um posto! |
| Tremendamente regular, Rouxinol voltou a estar em grande! |
| Sónia Matias "deu a volta" à "fava" do curro Veiga e triunfou |
| Todos estiveram bem, mas ontem em Santarém a tarde foi de Filipe Gonçalves! |
| Duarte Pinto numa sorte de tremenda verdade e emoção |
Miguel Alvarenga - Ontem em Santarém foi
de triunfo "o primeiro dia do resto da vida" de Mateus Prieto, jovem
cavaleiro que recebeu das mãos do Maestro Joaquim Bastinhas a sua desejada
alternativa.
A Monumental "Celestino
Graça", com bilhetes a preço único de 10 euros para os sectores de sol (em
dia sem sol...), não encheu como em anos anteriores, mas registou, mesmo assim,
uma entusiasmada moldura humana que teria esgotado muitas outras praças mais
pequenas (estamos a falar do maior tauródromo nacional) e que acompanhou com
justificada emoção o desenrolar do espectáculo - bem dirigido pelo competente
Lourenço Luzio - em que se lidaram seis bem apresentados toiros do ganadeiro
Manuel Veiga, de excelente jogo exceptuando os lidados em quarto e sexto
lugares, respectivamente, por Sónia Matias e Duarte Pinto, mais reservados e,
por isso, complicadotes.
Apesar de ter estado praticamente um ano
parado - na temporada passada triunfou em Ajalvir (Espanha) e pouco depois
suspendeu a época em consequência de uma queda -, Mateus Prieto apresentou-se
ontem em Santarém disposto a recuperar o tempo perdido. Com novos apoderados -
"Nené" e Carlos Santos - e com a quadra de cavalos em forma, o jovem
toureiro demonstrou estar apto e bem preparado para os desafios que lhe vão surgir agora como cavaleiro
profissional. Não acusando o peso nem a pressão habituais em momentos como
este, Mateus Prieto desenvolveu uma lide serena e, ao mesmo tempo, emotiva,
bregando e cravando com acerto em sortes bem desenhadas e superiormente
rematadas.
Embalado no sucesso em que estava a
decorrer a lide de doutoramento - brindada a seu Pai, Mário Prieto - pediu mais
um ferro e acabou por cravar dois, o último dos quais um de palmo, que
por duas vezes apontou e em ambas caíu. O público perdoou-lhe a falha e premiou-o
depois com merecida e aplaudida volta à arena. Mateus Prieto passou no exame de
consagração - e o toureio equestre tem a partir de agora uma nova estrela.
Sorte, Toureiro!
Joaquim Bastinhas, que horas antes
participara, como convidado da Presidência da República, nas comemorações
oficiais do Dia de Portugal em Elvas (ler notícia anterior), confirmou na
Monumental "Celestino Graça" toda a sua Raça - em dia que outrora
também levava essa denominação.
Frente a um poderoso e sério toiro de
Manuel Veiga, o Maestro elvense "deixou cair" dois ferros curtos, mas
também a essas falhas o público "fechou os olhos", dedicando-lhe
calorosos aplausos pela forma ousada e correcta com que desenhou a sua faena.
Ao seu melhor estilo, com a alegria contagiante com que costuma
"incendiar" as bancadas, o veterano Bastinhas terminou em grande com
um belíssimo par de bandarilhas, o usual salto do cavalo e o público rendido à
continuidade eterna da popularidade que por estas bandas conquistou - já lá vão
trinta anos!
Seguiu-se o "campeão" Luis
Rouxinol que, para variar, esteve muito bem. É incrível, e de muito difícil
alcance, a regularidade que o cavaleiro de Pegões mantém tarde após tarde,
temporada após temporada. Chega a "enervar" nunca o vermos "dar
um petardo" ou, quanto mais não fosse, estar menos bem. Rouxinol
impressiona pela "afinação" perfeita com que toureia todos os dias -
e é dos toureiros que mais toureia. Não é fácil, mas até parece, estar bem em
todas as corridas - mas ele está.
Ontem em Santarém, abriu uma vez mais o
livro e explicou as razões porque se mantém, depois de ter subido a corda a
pulso, entre os primeiros. Passavam exactamente 26 anos sobre a tarde em que
naquela mesma arena recebeu a sua alternativa. Toureou bem e com a costumeira
emoção do princípio ao fim. Terminou em cheio, também ele, com um valente e
arrojado par de bandarilhas. Público a seus pés, como é hábito e costume.
A Sónia Matias, pelos vistos em ano
azarado com os sorteios, coube a "fava" do curro de Manuel Veiga. Um
toiro "a puxar para as tábuas", com investidas de manso perigoso,
complicado, a que a "loirinha" conseguiu "dar a volta",
mercê da sua experiência, sacando faena onde ela não existia. Foi uma lide de
valor, bem demonstrativa do bom momento que atravessa e da madurez do seu toureio.
Também da excelente qualidade da sua quadra de cavalos.
Filipe Gonçalves é um "novo
Rouxinol" e já ninguém tem dúvidas de que tem pela frente um futuro
brilhante. Veio do nada, sem antecedentes familiares na tauromaquia, nascido lá
longe dos "centros de decisão" da Festa, no Algarve, subiu a corda a
pulso e praticamente não teve mestres na arte que abraçou. Mas impôs-se pela
sua garra, pela sua raça e pelo seu tremendo querer. Quem sonha, pode - e
Filipe pôde.
Chegou onde chegou mercê do seu
trabalho, do seu esforço, da sua dedicação e da sua imensa vontade de ser
alguém neste difícil mundo dos toiros. Recebeu a alternativa na Moita numa
recordada Corrida "Farpas", apadrinhado pelo Maestro João Moura e com
o testemunho de Rui Fernandes. Depois abandonou o "selo" de
"toureiro algarvio" e veio por aí acima decidido a provar que era
capaz de ombrear com os melhores. Já este ano, saíu triunfador das corridas em
que participou em Alter e na Benedita. Ontem em Santarém foi autor de uma lide
notável a um toiro "empenhado" de Veiga - que encontrou em todos os
terrenos e que toureou superiormente.
Foi importante e emotiva a actuação de
Filipe Gonçalves. Brilhante, mesmo. Deu prioridade ao toiro, aguentou sereno as
investidas, quarteando-se em terrenos apertados, cravando sem um falhanço,
recriando-se em arrojadas "piruetas" no remate das sortes, terminando
com um grande par de bandarilhas.
Venceu muito justamente - e sem protesto
ou oposição - o estatuto de triunfador da corrida e, por isso mesmo, entrou no
cartel da próxima sexta-feira, à noite, em Santarém, ao lado dos já anunciados
Moura Caetano e Marcos Bastinhas. Oportunidade para reafirmar o seu grande
triunfo de ontem. O júri que escolheu aquele que tomaria parte na próxima corrida
era composto pelos seis cavaleiros que ontem tourearam na "Celestino
Graça". Decidiram merecidamente que seria ele. Força, Filipe!
Grande triunfador no ano passado nesta
mesma praça, Duarte Pinto fechou ontem a corrida "a contas" com um
complicado toiro de Manuel Veiga. Distraído e reservadote, valeu-lhe ter pela
frente um toureiro com a força e a moral deste decidido Duarte - que teve
argumentos (e cavalos!) de sobra para fazer face a essa contrariedade.
Duarte Pinto pôs "a carne no
assador", entregou-se e arrimou-se, conseguindo, sobretudo no final da
lide, dois curtos que levantaram a praça. Como todos os outros, teve música e
mereceu-a. O público tributou-lhe justas ovações e no final premiou o seu
brilhante labor com aplaudida volta à arena.
Nem sempre fáceis, mas valentes, foram
as pegas executadas pelos Amadores de Santarém e de Alcochete. Uma delas
brindada à candidata Idália Serrão, muito certamente a próxima presidente da
Câmara da capital ribatejana e, por sinal, grande aficionada.
Tanto os cavaleiros, como os dois grupos
de forcados, brindaram ao futuro da carreira do novo cavaleiro de alternativa,
Mateus Prieto.
Aplausos, também merecidos, para o
belíssimo naipe de bandarilheiros que ontem esteve ao serviço dos cavaleiros. E
para o trabalho dos campinos na recolha dos toiros. Aos que estavam na bancada,
brindou Filipe Gonçalves o seu par de bandarilhas, desta forma honrando uma das
mais carismáticas e típicas figuras do Ribatejo.
Em Santarém, assistimos ontem ao
nascimento de uma nova estrela - o jovem que recebeu a alternativa - e à
consagração no firmamento de um astro, o triunfador Filipe Gonçalves, que
deixou assim mais um motivo de justificada expectativa para a corrida nocturna
da próxima sexta-feira, dia 14, em que actuará ao lado dos dois
"grandes" da nova vaga, Moura Caetano e Marcos Bastinhas.
Fotos Emílio de
Jesus/fotojornalistaemilio@gmail.com
