
Miguel Alvarenga - Uma grande actuação
de João Telles (foto de cima) no quarto toiro da tarde, um bom exemplar da ganadaria de seu
Avô, Mestre David; e uma também fantástica lide de Miguel Moura (foto ao lado) no segundo
toiro da corrida, marcaram, em traços gerais e resumidos (que não houve grande
história para contar) a corrida que ontem à tarde se realizou na praça de Vila
Viçosa, com metade das bancadas preenchidas e que na segunda parte foi
salpicada (e bem) por chuva, levando alguns espectadores a abandonar as
bancadas e tornando frio o ambiente, que só por si já não era lá muito
quente...
João Telles andou meio cá, meio lá na lide do
primeiro da ordem, sofrendo uma aparatosa colhida por o cavalo não se ter
tirado, sendo literalmente apanhado pelos peitos e levantado pelo toiro, só por
milagre não causando a queda do cavaleiro. Voltou a citar e sofreu nova
colhida, acabando por mudar de cavalo e prosseguir então a lide de modo
aceitável, mas sem escutar música e sem dar volta à arena. No seu segundo,
Telles esteve ao nível (alto) em que tem estado e protagonizou uma actuação em
crescendo, pondo o público de pé.
Miguel Moura, que vinha de uma noite
azarada em Évora, na sexta-feira, onde lhe tocaram os piores toiros, teve ontem
a sorte do seu lado e enfrentou um bom toiro de David R. Telles ao qual
ministrou uma lide ao seu melhor estilo, com pormenores de brega louváveis e
ferros de grande emoção - chave de ouro a fechar a sua temporada em Portugal,
restando-lhe agora (de hoje a oito dias) o alto compromisso de enfrentar Pablo
Hermoso e Sérgio Galán na corrida que encerra, dia 21, a Feira de Salamanca.
O seu segundo toiro era reservado e
mansote e Miguel Moura teve uma actuação encastada e perfeita, sem falhas, mas
também sem o brilho desejado por evidente falta de matéria prima.
João Salgueiro da Costa voltou a pautar
a sua presença, como na véspera em Almeirim, por excesso de irregularidade. Ora
bem, ora mal, cumpriu a ferragem no seu primeiro e nem deu volta; e cravou um
grande ferro, em terrenos de compromisso, no último da tarde, mas soube a
pouco. E todos sabemos que ele pode muito mais. Continuamos à espera da
explosão de Salgueiro. Porque acreditamos nele e sabemos, repito, que pode ir
muito mais além.
Nas pegas, pelos Amadores de Santarém,
pegaram o forcado local Nelson Ramalho, à segunda (um dos maiores primeiros
ajudas do momento, que ontem pegou de caras por estar na sua terra), António
Goes à terceira (rija pega, a aguentar forte derrote, mas depois não deu
volta...) e David Inácio à segunda.
Melhor estiveram ontem os Amadores de
Montemor, repetindo o êxito da véspera em Almeirim: três grandes pegas à
primeira por intermédio de João da Câmara (que brindou a seu Pai, o fadista
Manuel da Câmara, que ontem fazia anos), de Frederico Caldeira e de Manuel
Ramalho.
Muito bem apresentada a corrida de Ribeiro Telles, toiros sérios, com cara e com presença, que cumpriram no geral, destacando-se o segundo e quarto da ordem, deixando-se lidar os restantes.
Corrida sem grande história, daquelas em
fim de temporada e já com chuva e frio, coisas que não têm propriamente a ver
com o sol e as moscas que são desejáveis neste espectáculo - e excelente
direcção, como sempre, de Agostinho Borges.
E lá voltaram a saltar à arena aquelas
duas meninas trajadas a rigor que levam flores aos toureiros e aos forcados e
os acompanham nas voltas à arena, agradecendo aplausos como se também tivessem
toureado...
Amanhã, não perca, a foto-reportagem de Emílio de Jesus.
Fotos Frederico Henriques/@João R. Telles e Maria Mil-Homens/Arquivo

