segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Vila Viçosa, ontem: sol e chuva em corrida sem grande história...




Miguel Alvarenga - Uma grande actuação de João Telles (foto de cima) no quarto toiro da tarde, um bom exemplar da ganadaria de seu Avô, Mestre David; e uma também fantástica lide de Miguel Moura (foto ao lado) no segundo toiro da corrida, marcaram, em traços gerais e resumidos (que não houve grande história para contar) a corrida que ontem à tarde se realizou na praça de Vila Viçosa, com metade das bancadas preenchidas e que na segunda parte foi salpicada (e bem) por chuva, levando alguns espectadores a abandonar as bancadas e tornando frio o ambiente, que só por si já não era lá muito quente...
João Telles andou meio cá, meio lá na lide do primeiro da ordem, sofrendo uma aparatosa colhida por o cavalo não se ter tirado, sendo literalmente apanhado pelos peitos e levantado pelo toiro, só por milagre não causando a queda do cavaleiro. Voltou a citar e sofreu nova colhida, acabando por mudar de cavalo e prosseguir então a lide de modo aceitável, mas sem escutar música e sem dar volta à arena. No seu segundo, Telles esteve ao nível (alto) em que tem estado e protagonizou uma actuação em crescendo, pondo o público de pé.
Miguel Moura, que vinha de uma noite azarada em Évora, na sexta-feira, onde lhe tocaram os piores toiros, teve ontem a sorte do seu lado e enfrentou um bom toiro de David R. Telles ao qual ministrou uma lide ao seu melhor estilo, com pormenores de brega louváveis e ferros de grande emoção - chave de ouro a fechar a sua temporada em Portugal, restando-lhe agora (de hoje a oito dias) o alto compromisso de enfrentar Pablo Hermoso e Sérgio Galán na corrida que encerra, dia 21, a Feira de Salamanca.
O seu segundo toiro era reservado e mansote e Miguel Moura teve uma actuação encastada e perfeita, sem falhas, mas também sem o brilho desejado por evidente falta de matéria prima.
João Salgueiro da Costa voltou a pautar a sua presença, como na véspera em Almeirim, por excesso de irregularidade. Ora bem, ora mal, cumpriu a ferragem no seu primeiro e nem deu volta; e cravou um grande ferro, em terrenos de compromisso, no último da tarde, mas soube a pouco. E todos sabemos que ele pode muito mais. Continuamos à espera da explosão de Salgueiro. Porque acreditamos nele e sabemos, repito, que pode ir muito mais além.
Nas pegas, pelos Amadores de Santarém, pegaram o forcado local Nelson Ramalho, à segunda (um dos maiores primeiros ajudas do momento, que ontem pegou de caras por estar na sua terra), António Goes à terceira (rija pega, a aguentar forte derrote, mas depois não deu volta...) e David Inácio à segunda.
Melhor estiveram ontem os Amadores de Montemor, repetindo o êxito da véspera em Almeirim: três grandes pegas à primeira por intermédio de João da Câmara (que brindou a seu Pai, o fadista Manuel da Câmara, que ontem fazia anos), de Frederico Caldeira e de Manuel Ramalho.
Muito bem apresentada a corrida de Ribeiro Telles, toiros sérios, com cara e com presença, que cumpriram no geral, destacando-se o segundo e quarto da ordem, deixando-se lidar os restantes.
Corrida sem grande história, daquelas em fim de temporada e já com chuva e frio, coisas que não têm propriamente a ver com o sol e as moscas que são desejáveis neste espectáculo - e excelente direcção, como sempre, de Agostinho Borges.
E lá voltaram a saltar à arena aquelas duas meninas trajadas a rigor que levam flores aos toureiros e aos forcados e os acompanham nas voltas à arena, agradecendo aplausos como se também tivessem toureado...

Amanhã, não perca, a foto-reportagem de Emílio de Jesus.

Fotos Frederico Henriques/@João R. Telles e Maria Mil-Homens/Arquivo