Miguel Alvarenga - A segunda e última corrida da Feira do Toiro-Toiro, que ontem à noite se celebrou na praça de Alcochete, consolidou um ano mais, o profissionalismo, a aficion e o empenho dos jovens empresários Margarida e António José Cardoso (Toiros & Tauromaquia), que muito dignamente souberam nos últimos anos dar continuidade ao histórico trabalho desenvolvido naquela praça por seu pai, o sempre presente António Manuel Cardoso "Nené".
Ontem, com os inspectores da IGAC alerta e em cima do acontecimento, viu-se uma muito mais cuidada distribuição do público pelas bancadas, cumprindo ordeiramente as normas nas saídas finais, o que não acontecera no sábado. E, a atestar pelas fotos, já não houve "ilusões de óptica", cumprindo-se também com rigor a ocupação exclusiva de 50% da lotação da pequena praça.
Não estive em Alcochete. Socorri-me das informações e dos detalhes que ao longo da noite e já esta manhã recolhi junto de fontes fidedignas, conhecedoras e credíveis. E que coincidem, no geral, com a crónica do insuspeito e sempre imparcial Miguel Ortega Cláudio (foto de baixo) que li atentamente no site "Tauronews" e que, para não correr riscos, publicarei de seguida, com a devida vénia.
Houve a registar mais uma noite grande de toiros com um curro de extraordinária apresentação e imensa seriedade da ganadaria Fernandes de Castro, com chamada à arena do ganadeiro no final da corrida.
Artisticamente, a corrida foi agradável: Luis Rouxinol, com uma lide redonda no toiro branco que abriu praça e depois também uma excelente actuação no quarto; Filipe Gonçalves mais irregular nos dois, mas a marcar com dois grandes ferros no quinto, o toiro mais complicado da noite, ganhando depois o prémio que estava em disputa para o melhor par de bandarilhas (dizem que o júri foi uma empresa de rações...), decisão que o público não terá recebido com muito agrado; Marcos Bastinhas com duas actuações enormes, sobretudo no segundo toiro da corrida, deixando tudo e todos em alvoroço, "à Bastinhas", dando nota do seu enorme valor com a atitude de ter esperado o segundo toiro numa sorte de gaiola de grande emoção.
Com os sérios Castros, não foi tarefa fácil a dos forcados. Registo para uma emotiva pega de Diogo Amaro e outra heróica do cabo Marcelo Lóia, pelo Aposento do Barrete Verde, que comemorava o seu 55º aniversário; e também uma excelente actuação dos Amadores de São Manços, com o pegão da noite, no último toiro, a cargo do cabo João Fortunato, um forcado dos melhores.
Em suma, no conjunto, duas grandes corridas a marcar um ano atípico sem as tradicionais Festas do Barrete Verde e das Salinas - que desta vez se sentiram apenas na praça de toiros, por obra e graça do empenho da empresa Toiros & Tauromaquia.
Já a seguir, leia a detalhada análise de Miguel Ortega Cláudio no "Tauronews", que reproduzimos com a devida vénia - e veja todas as fotos de Mónica Mendes.
Fotos Carla Galrão/Facebook e Maria Mil-Homens/Arquivo
