
Num momento em que as hostes taurinas continuam super-agitadas pelo "tsunami" provocado há duas semanas em Lisboa por Diego Ventura e pelo cavalo "Morante" que morde nos toiros, chega esta noite ao Campo Pequeno o Maestro João Moura, figura número-um do toureio equestre mundial, predisposto a pôr os pontos nos iis e a fazer valer a arte lusitana de bem lidar toiros a cavalo.
Como Miguel Alvarenga ressalva hoje no seu editorial no jornal "Farpas", há muito tempo que uma entrevista não surgia em tempo tão oportuno como a que João Moura concedeu no início desta semana ao site www.touroeouro.com, tomando posição face à grande celeuma que grassa no meio tauromáquico nacional.
Reconhecendo Pablo Hermoso e Ventura como grandes figuras do rejoneio mundial, João Moura considera que "têm o seu mérito, mas não inventaram nada..." e opina que "há matizes que não se podem perder, há regras que não se podem transformar... não bastam umas dentadas nos toiros".
Acrescenta o Maestro que "a vinda para Portugal de figuras como o Pablo e o Ventura motivam-me bastante e dão-me vontade de triunfar para manter o toureio do nosso país onde realmente deve estar. O toureio a cavalo nasceu aqui e é isso que quero defender", ressalvando que "tenho mantido o toureio ao mais alto nível, tenho-me esforçado por dignificar o toureio falado em português... custa-me muitas vezes que sejam os próprios portugueses a deitar-nos abaixo".
Interpretadas como um hino em defesa do toureio português, num momento particularmente agitado depois da "provocação" que muitos sentiram pela apoteótica actuação de Ventura no Campo Pequeno há quinze dias, as palavras do Maestro Moura denotam ainda a "eterna garra" do não menos eterno "Niño Prodígio" do toureio a cavalo, que hoje à noite faz a sua primeira apresentação em Lisboa competindo com Rui Fernandes e Tiago Carreiras e certamente decidido a confirmar na arena o que disse na entrevista. Por outro lado, é esperado que João Moura dê hoje o mote em Lisboa para o que vai ser a grande competição com Ventura no próximo dia 29 na Monumental do Montijo (onde ombrearão os dois com o valoroso Moura Caetano) naquele que será o segundo encontro dos dois gigantes depois do memorável triunfo de Moura em Santarém no primeiro "duelo" que tiveram em 10 de Junho.
Por todos estes factores, mas sobretudo porque todos sabemos que, aos 51 anos, João Moura está novamente num "brutal momento de forma", é imensa e justificada a expectativa para a nocturna de hoje em Lisboa.
Fotos Ricardo Relvas e João Dinis

