
Miguel Alvarenga - João Cortesão refere hoje, e muito bem, no seu blog "sortes de gaiola", que nos tempos de Núncio e Simão e até nos de Batista, Veiga e Zoio, "não se usava", pelo menos como se usa hoje, esta "moda" dos prémios para "o melhor cavaleiro" - uma decisão e uma atribuição sempre polémica e sempre subjectiva. Mas enfim, os tempos mudaram.
Eram bonitos os troféus que ontem se disputaram na Monumental de Albufeira, na quinta Corrida de Verão/RTP, ambos da autoria da excelente artista plástica Orlanda Gamboa, Mulher do empresário e ganadeiro Fernando dos Santos.
O da "melhor lide" foi ganho pelo cavaleiro Tito Semedo (foto da direita) pela sua actuação no "sobrero", último da noite, que substituiu o toiro "cegueta" que lhe tocou em segundo lugar. Sonoros protestos do público acompanharam o anúncio do vencedor. Esteve bem e cravou ferros de muita emoção, mas na hora de eleger um triunfador da noite e sobretudo depois da brilhante actuação de Rouxinol e da imponente lide de Moura Caetano (foto da esquerda), não estava fácil, nada mesmo, decidir quem merecia e quem não merecia ganhar.
Estes prémios dão sempre azo a "faladuras" desnecessárias e a "suspeitas" que só prejudicam, ao fim e ao cabo, quem ganha. Adiante.
Com a praça cheia (mais um sucesso televisivo na Monumental algarvia, que comemora este ano o seu 30º aniversário), a corrida foi ontem prejudicada pela mansidão, na generalidade, dos toiros de Fernando dos Santos - muito bem apresentados, mas...
Imparável, "sempre bem", Luis Rouxinol abriu praça com mais uma actuação fantástica. Não há toiros bons e toiros maus para o cavaleiro de Pegões. A "máquina" está "oleada" e os triunfos sucedem-se a "papel químico". É um triunfador nato e um toureiro de uma regularidade impressionante.
Sónia Matias enfrentou o pior dos toiros e valeu a sua garra, a sua valentia, o seu profissionalismo, o procurar sempre agradar e triunfar, mesmo quando os ventos sopram em contrário.
Ana Batista também não teve sorte com o toiro, mas superou com a classe de sempre a falta de matéria prima para o êxito que desejava. Actuava a substituir o lesionado Joaquim Bastinhas, teve música, deu volta, o público gostou.
João Moura Caetano vive, como já escrevi aqui, a sua hora. Está superiormente montado e fortemente moralizado. Também com um toiro nada fácil, arriscou ao máximo, começou logo nos compridos, dando toda a prioridade ao oponente. Nos curtos, emocionou com o fantástico cavalo "Temperamento". Ferros de muito valor, em terrenos de enorme compromisso. Vamos vê-lo mais uma vez esta noite no Campo Pequeno!
O jovem Mateus Prieto é um toureiro "desenrascado" e "atrevido". Esteve bem, dentro "desse estilo". O público esteve com ele e quando isso acontece, pode-se opinar muita coisa, mas "quem mais ordena" é quem paga o bilhete. Deu aplaudida volta à arena.
Em suma, uma corrida que podia ter sido um espectáculo televisivo muito melhor, caso os toiros tivessem "colaborado" mais, mas que valeu pelos triunfos de Rouxinol, de Caetano e de Tito.
Fotos D.R./Hugo Calado e Emílio de Jesus/Arquivo

