A Câmara de Viana do Castelo indeferiu o
pedido de organização de uma tourada naquela cidade, que aboliu este tipo de
espectáculo, alegando não existirem condições, mas os promotores mantém a
intenção de a realizar.
A tourada está prevista para 19 de
Agosto e na base da decisão do município, além da proibição decretada em 2009 à
realização deste tipo de espetáculos, esteve ainda a "falta de condições", do
ponto de vista do ordenamento do território, relativamente ao local escolhido
pelos promotores.
"Não reunia condições porque é um
terreno que está em Rede Natura, Reserva Ecológica Nacional e Reserva Agrícola
Nacional. Indeferimos o pedido e já informámos as autoridades dessa decisão",
explicou à agência Lusa o presidente da autarquia, José Maria Costa, ontem,
quarta-feira.
O pedido apresentado à Câmara solicitava
a instalação, em terrenos da freguesia de Areosa, Viana do Castelo, de uma
arena amovível, sendo o evento organizado pela federação Prótoiro, que reúne
várias associações e representantes da atividade tauromáquica em Portugal.
Recorde-se que o executivo camarário,
liderado ainda por Defensor Moura, aprovou a 27 de Fevereiro de 2009 a
proibição de realização de touradas em Viana do Castelo, transformando o
município em "antitouradas", em defesa dos direitos dos animais e alegando não
existir "qualquer tradição" tauromáquica no concelho.
Contactado pela Lusa, Diogo Costa
Monteiro, presidente da comissão executiva da Prótoiro, admitiu que já
esperava esta decisão.
"Temos tido várias reuniões com a Câmara
e desde a primeira hora que nos disseram que a festa não ia acontecer. Mas é
uma decisão ilegal, que vamos contestar de todas as formas possíveis, porque a
vontade do município não se pode sobrepor à Lei da Nação", apontou.
Face à declaração "antitouradas" e à
aquisição da Praça de Toiros pelo município, por 5.127 euros, também em 2009,
há três anos que não se realizam espectáculos tauromáquicos no concelho.
"O que se passa em Viana do Castelo é
uma censura e um fascismo cultural. A tauromaquia é um espectáculo legal, que
está definido na Lei como um espectáculo Cultural e que não pode estar
dependente da vontade de presidentes de Câmara", argumentou o dirigente da Prótoiro.
Apesar deste indeferimento, Diogo Costa
Monteiro garante que haverá corrida de toiros, a qual já tem o cartaz definido
mas que "para já fica em segredo".
"Se Portugal for um Estado de Direito,
no dia 19 de Agosto haverá corrida. Se for um regime em que uma Câmara pode
impor uma ditadura cultural, aí sim, não teremos festa", rematou.
- in Lusa/TVI 24
Foto D.R.

