sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ontem no C. Pequeno: a maestria de Vitor Mendes e o despontar de Manuel D. Gomes



Miguel Alvarenga - A veterania e o saber do Maestro Vitor Mendes e a juventude e o querer do jovem novilheiro Manuel Dias Gomes estiveram ontem em contraste na corrida mista do Campo Pequeno - onde os toureiros a pé estavam em clara vantagem em relação aos cavaleiros, lidando dois toiros cada.
Pertenceram estes à "nova" ganadaria de Oliveiras Irmãos, agora propriedade de João Folque, o também proprietário da ganadaria Palha. E deram excelente jogo, embora claramente distintos dos antigos Oliveiras.
Vitor Mendes não bandarilhou. Mas também não lhe podemos exigir que mantenha, com mais de trinta anos de carreira, a mesma condição física de outrora. A arte, o domínio e a maestria, essas sim, continuam "lá". A primeira faena é um autêntico folhear de um compêndio de experiência e sabedoria. Também de poderio, de técnica e de pundonor.
No seu segundo toiro, que foi perdendo a investida, a faena foi de "mais a menos" e Vitor recusou a volta à arena. Esteve digno, com imenso ofício e muita entrega. Dá sempre gosto rever um toureiro como o Maestro Mendes. Na próxima semana estará na Arruda dos Vinhos (quinta-feira), de luces outra vez. E na terça em Castellar (Espanha). O veterano matador de toiros continua a ser o primeiro - mas também o mais activo.
À maestria e ao saber de Mendes contrapôs-se ontem na arena do Campo Pequeno a vontade e o querer de Manuel Dias Gomes. Entre um e outro vão três décadas de toureio. Após alguns anos como "promessa", Manuel é agora um certeza e é também, certamente, o próximo matador de toiros de Portugal, espera-se que com alternativa na próxima temporada.
Quer ser, já mostrou que vai ser, um toureiro de arte. Com um "corte" e um estilo que se distancia do de Mendes e se aproxima do de Pedrito. É bonito com o capote. É profundo com a muleta.
O seu primeiro toiro permitiu-lhe apenas estar bem. O segundo deu-lhe azo a que mostrasse todo o seu sentimento e toda a sua arte, toda a beleza do seu toureio. Manuel Dias Gomes é um "estilista" e um toureiro de bom gosto. Foi importante este seu triunfo ontem em Lisboa, onde pela primeira vez, na noite em que se prestava homenagem a seu Avô, Augusto Gomes Júnior, esteve num cartel de maior destaque e pôde lidar dois toiros.
O público aficionado de Lisboa pode ontem ter descoberto o seu novo ídolo.
Muito bem com as bandarilhas, as quadrilhas - a quem também hoje aqui prestaremos o devido realce. Acompanhe ao longo do dia todas as reportagens da corrida de ontem no Campo Pequeno, um espectáculo bem dirigido por Lourenço Luzio.

Fotos Emílio de Jesus/fotojornalistaemilio@gmail.com