terça-feira, 16 de setembro de 2014

Hugo Teixeira: quem vos avisa, vosso amigo é!


Ponte de Lima, domingo passado: praça cheia! E a Moita, ontem? 100, 200 pessoas,
talvez menos... uma desgraça...


A sirene está a tocar!

Hugo Teixeira - A sirene está a tocar. A crítica está alarmada e os empresários estão a começar a ver a coisa a descambar...
Depois dos "acidentes" ocorridos em Moura, Vila Viçosa, Portalegre e outros mais que sucederam ao longo da temporada, o "alerta" está a soar bem alto com a "desgraça" que aconteceu na primeira da Feira da Moita.
Lamento informar, mas esta coisa das touradas tem tendência a piorar. As pessoas estão fartinhas de ver sempre os mesmos toureiros, não vão às praças porque estão fartas de toiros da corda (os tais nhoc-nhoc), estão fartas, fartas, fartas, fartas, fartas e mais fartas!!!
Inovação é uma palavra que tem de entrar de uma vez por todas no dicionário dos empresários. Toiros de verdade, aliados a jovens toureiros e outros de meia-idade, são os ingredientes que faltam, com uma pitada (claro está) de um "velho ou outro" à mistura.
De que vale hoje em dia triunfar em Lisboa ou vencer um troféu aqui ou ali? Nada!
E quando assim é a coisa é preocupante, algo vai mal...
Mas, voltando à questão, o que se passou na Moita e nos outros lados ao longo da temporada é alarmante, pois não há nada pior do que uma praça vazia.
Sem querer entrar em detalhes e apontar nomes deixo este pensamento: Enquanto o compadrio continuar (leia-se trocas e baldrocas) entre empresas que possuem toureiros e trocam com outros empresários que por sua vez também têm toureiros, a coisa não vai lá.
 As pessoas não são burras, já perceberam o "negócio" que existe entre empresas e não estão para alimentar mais esse "círculo vicioso". Os aficionados estão fartos de ver sempre os mesmos, estão ansiosos por ver verdade, emoção e risco!
Não me venham com a conversa de que não há dinheiro ou que a corrida x ou y não meteu ninguém porque choveu minutos antes. Isso já não pega!  Já não há pachorra para tanta justificação sem justificação.
Vejamos um exemplo: O espectáculo juvenil "Violleta" vai estar em exibição durante quatro sessões no Meo Arena, em Lisboa, entre 24 e 25 de Janeiro. O bilhete mais barato custava 45 euros e o mais caro 500 euros (sim, leu bem, 500 euros)...resultado: Esgotado!
Todos os ingressos foram vendidos no último fim-de-semana, já os paizinhos tinham, por exemplo, adquirido o material escolar para os seus filhos...
As pessoas não vão aos toiros porque estão fartas de ver sempre o mesmo ou porque não gostam. Ponto.
Para dar a volta a isto tudo depende do marketing, da publicidade, da maneira como se promovem os espetáculos e se elaboram os cartéis, tendo a competição como lema. Tudo depende, também, do factor "Novidade"!
A palavra "novidade" é outra das palavras que tem que entrar de uma vez por todas no dicionário da Festa.
Enquanto os cartéis reunirem sempre os mesmos, enquanto continuarem a colar cartazes nas paredes para ninguém ler....Isto não vai sair da cêpa torta.
Enquanto os mesmos de sempre tourearem três e quatro vezes no espaço de uma semana num raio de 100 quilómetros, a coisa não vai lá.
Enquanto os empresários continuarem a montar corridas atrás de corridas na mesma zona e com os mesmos de sempre, a coisa não vai lá.
Vejam o exemplo de Ponte de Lima, não tinha toiros há vários anos e este fim-de-semana deu um espectáculo. Resultado: estava cheia a praça!
Para já toca a sirene no seio da festa, mas se tudo continuar igual, em breve, vamos escutar os sinos a dobrar e a anunciar a sua morte...
E depois? Favas com chouriço!

Fotos D.R.