domingo, 15 de agosto de 2021

Miguel Moura e Amadores de Coimbra triunfam na primeira do ano na Nazaré

Diz o povo e com alguma razão que quase sempre o melhor está guardado para o fim e o que se passou a noite passada na Arena da Nazaré não fugiu à regra e foi realmente isso que aconteceu - não há "quinto mau" e o espanhol Andrés Romero soube dar-lhe a volta; no último da noite o irreverente Miguel Moura assinou o triunfo da corrida e Pedro Casalta "carimbou" com nota de excelência a prestação dos Amadores de Coimbra

Fernando José (texto e fotos) - Na corrida de inauguração da temporada das nocturnas na Nazaré actuaram ontem os cavaleiros João Ribeiro Telles, o rejoneador espanhol Andrés Romero e Miguel Moura.


Com um prémio em disputa para a melhor pega estiveram em praça três grupos de forcados, os Amadores do Real Grupo de Moura, Aposento da Chamusca e Amadores de Coimbra - frente a um curro da ganadaria Ascensão Vaz que saiu à praça com boa apresentação com o primeiro, segundo e quarto a terem nota negativa e os restantes a mostrarem boas investidas para a lide.


Abriu praça João Telles, que não teve a sorte do seu lado, pois o toiro saíu manso, desde cedo se resguardou em tábuas, atributos a que juntou mansidão, não permitindo ao cavaleiro da Torrinha qualquer brilho.


Na segunda lide calhou a "fava" de novo a João Telles, pois teve pela frente um toiro "imobilizado", que se absteve totalmente dos cavalos, apenas se mexendo quando lhe "cheirava” a capote. O cavaleiro tudo fez para sacar algo da rês, o púbico entendeu, mas o animal estava coberto de mansidão.


Andrés Romero voltou à Nazaré depois do ano passado ali ter passado com distinção e apresentou-se moralizado depois dos triunfos em Toledo e em praças nacionais (horas antes triunfara em Arruda dos Vinhos). O rejeonador espanhol, embora se esforçando, também não teve sorte no segundo toiro que saíu à praça, sofreu um toque forte contra as tábuas e teve que terminar a lide com a cravagem de dois ferros a sesgo, pois o toiro cedo de fechou em tábuas.


Já no quinto toiro, Andrés Romero teve matéria prima, andou alegre, cumpriu na cravagem dos ferros, talvez ainda pudesse "apurar um pouco mais", mostrou a sua boa quadra de cavalos, o público gostou, saiu com nota positiva.


Por sua vez, Miguel Moura lidou o terceiro toiro e desde cedo conquistou o público nas bancadas, esteve a cravar de forma exemplar, a tourear bem, rematando sempre com brega vistosa, saindo na perfeição com um palmito e muitos aplausos.


No último da noite, o cavaleiro de Monforte esteve soberbo, começou logo com uma porta gaiola perfeita com uma pontaria preciosa que fez levantar as bancadas. Motivado, continuou a sua actuação sempre a subir, nos curtos, então, armou o taco, escolhendo bem os terrenos, desenhando bem as sortes, rematadas sempre com bregas "à Moura" que aqueceram - e de que maneira! - as bem compostas bancadas da Arena da Nazaré, o que lhe permitiu o desejado e merecido triunfo.


Nas pegas a sorte não esteve do lado do Real Grupo de Moura. Cláudio Pereira concretizou à segunda tentativa. Já no quarto, o grupo alentejano pegou à terceira tentativa, também a sesgo, por intermédio de Gonçalo.


Pelos Amadores do Aposento da Chamusca pegou Francisco Amaro à quarta tentativa o terceiro toiro; já no quinto foi para a cara João Saraiva, que pegou ao primeiro intento com o grupo a fechar muito bem numa execução perfeita.


Por último pelo grupo que veio da região Centro, os Amadores de Coimbra assinaram ambas as pegas à primeira tentativa. Primeiro no terceiro toiro da ordem saltou à praça o cabo Pedro Silva com uma boa execução e boa ajuda do grupo.


E fechou com "chave de oiro" a boa noite de toiros: foi a vez de Pedo Casalta fechar-se à primeira - e o júri composto pelos três cabos, o aficionado Serafim Silva e Nuno Batalha, presidente da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, atribuiu-lhe o prémio de melhor pega da noite. Na foto de baixo, o forcado vencedor do concurso de pegas com Rui Bento, o dinâmico organizador das corridas na Nazaré. Noite de triunfo!


A corrida foi abrilhantada pela Banda de Olhalvo e bem dirigida por Ana Pimenta, assessorada pelo médico veterinário José Manuel Lourenço. A corrida iniciou-se com um minuto de silêncio em memória de Fernando dos Santos.