
Miguel Alvarenga - Conheci o João
Mascarenhas - e com ele aprendi - quando entrei, pela mão de meu Pai, neste
(complicado) mundo da Tauromaquia. Convivemos tanta vez, chegámos mesmo a
compartilhar uma longa e divertidíssima (ele tinha um sentido de humor do outro
mundo!) digressão ao México, no início dos anos 80, com os Forcados Amadores
Lusitanos (chefiados por Fernando Hilário nesse tempo) - de que guardo as
melhores recordações e que jamais esquecerei.
Um dia, nos anos 90, o João embarcou,
armadilhado por quem se dizia meu amigo, numa campanha contra mim (uma das muitas que de quando em vez são desencadeadas e contra as quais resisto e persisto porque, graças a Deus, continuo a ser "à prova de bala"!) no jornal
onde escrevia, "Vida Ribatejana" e isso foi mais que suficiente para
que cortássemos defintivamente relações e, até hoje, ao dia da sua morte, nunca
mais nos falámos ou simplesmente nos cumprimentámos - o que não me deixa
indiferente neste momento triste, em que me curvo respeitosamente sobre a sua
memória.
O João era, afinal, um homem bom e de
sentimentos. E foi um nome importante da crítica tauromáquica - à sua maneira. Teve
influência, era respeitado, ajudou imensos toureiros, chegou a apoderar alguns
e fez até parte de algumas empresas. Era um aficionado conhecedor - e foi um
bom Pai.
Com a sua morte, esta tarde no Hospital
de Vila Franca, a Festa de Toiros perde um dos mais antigos críticos tauromáquicos
e também um dos homens que viveu neste meio com maior paixão. Era um apaixonado
pela arte do toureio - e foi-o até ao fim.
Que em paz descanse.
Fotos D.R. e Emílio de Jesus



