segunda-feira, 15 de junho de 2015

Homenagem: na morte de João Mascarenhas

Dezembro de 1981 na praça mexicana de Morélia, com os Forcados Lusitanos e
o célebre matador de toiros Gregório Garcia, que nos anos 40 fez história em
Portugal. Da esquerda para a direita: Miguel Alvarenga, João Mascarenhas, António
Lapa, Joaquim Mendes, Gregório Garcia, Francisco Araújo "Fazé", Fernando Hilário,
António Santos e Francisco Costa
Janeiro de 1982 na arena da Monumental Plaza México. Da esquerda para a
direita: o matador de toiros Fernando Pessoa, João Mascarenhas, Licenciado
Téllez (que era, ao tempo, o braço-direito do empresário e antigo matador de
toiros Rodolfo Gaona), José Rocha, Fernando Hilário e Francisco Costa. Em
baixo, Miguel Alvarenga e Luis de Castro
Dezembro de 1981 num bar famoso da Praça Gaibaldi, na cidade do México. Da
esquerda para a direita: João Mascarenhas, Francisco Costa, o também crítico
taurino Luis de Castro, José Rocha (amigos dos Forcados Lusitanos e que nos
acompanhou nesta digressão), Miguel Alvarenga e Fernando Hilário. Na frente,
o matador de toiros mexicano César Pastor



Miguel Alvarenga - Conheci o João Mascarenhas - e com ele aprendi - quando entrei, pela mão de meu Pai, neste (complicado) mundo da Tauromaquia. Convivemos tanta vez, chegámos mesmo a compartilhar uma longa e divertidíssima (ele tinha um sentido de humor do outro mundo!) digressão ao México, no início dos anos 80, com os Forcados Amadores Lusitanos (chefiados por Fernando Hilário nesse tempo) - de que guardo as melhores recordações e que jamais esquecerei.
Um dia, nos anos 90, o João embarcou, armadilhado por quem se dizia meu amigo, numa campanha contra mim (uma das muitas que de quando em vez são desencadeadas e contra as quais resisto e persisto porque, graças a Deus, continuo a ser "à prova de bala"!) no jornal onde escrevia, "Vida Ribatejana" e isso foi mais que suficiente para que cortássemos defintivamente relações e, até hoje, ao dia da sua morte, nunca mais nos falámos ou simplesmente nos cumprimentámos - o que não me deixa indiferente neste momento triste, em que me curvo respeitosamente sobre a sua memória.
O João era, afinal, um homem bom e de sentimentos. E foi um nome importante da crítica tauromáquica - à sua maneira. Teve influência, era respeitado, ajudou imensos toureiros, chegou a apoderar alguns e fez até parte de algumas empresas. Era um aficionado conhecedor - e foi um bom Pai.
Com a sua morte, esta tarde no Hospital de Vila Franca, a Festa de Toiros perde um dos mais antigos críticos tauromáquicos e também um dos homens que viveu neste meio com maior paixão. Era um apaixonado pela arte do toureio - e foi-o até ao fim.
Que em paz descanse.

Fotos D.R. e Emílio de Jesus