segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Sobral: todos com Francisco Penedo

O presidente da Câmara e os artistas renderam homenagem à memória de
Francisco Penedo com a presença de seu irmão Pedro na arena
Tinha pouca força o primeiro toiro da corrida, mas teve
imensa força a arte de Luis Rouxinol para o lidar
Público reconheceu a classe e o esforço com que Ana Batista lidou um toiro
manso e complicado
Vá lá entender-se porque razão António Maria Brito Paes não toureia mais. Ontem
no Sobral esteve em grande e a lidar superiormente
Manuel Telles Bastos lidou um manso reservado, mas para um toureiro do seu
calibre há muito que já não existem "toiros impossíveis"
Arte, classe e verdade: Duarte Pinto teve ontem um triunfo memorável
Luis Rouxinol Jr. fechou a corrida com chave de ouro e alcançou mais um
triunfo notável nesta sua temporada de grande fulgor
Mário Real, dos Amadores de Lisboa, pegou à primeira o primeiro toiro da tarde
A primeira intervenção do Grupo de Coruche, no segundo toiro, esteve a cargo
de António Tomás, que consumou a pega à primeira tentativa
Daniel Batalha pegou pelo Grupo de Lisboa o terceiro toiro da corrida,
consumando ao primeiro intento 
O quarto toiro, manso e reservado, complicado até dizer chega, deu que fazer aos
Amadores de Coruche e foi pegado à sexta por João Carvalho, na sua segunda
intervenção, a sesgo, depois de três tentativas de Vitor Cardante e de uma
primeira de João Prates, que ficou inanimado na arena, mas recuperou os
sentidos na enfermaria e regressou à trincheira
O Grupo de Lisboa, em tarde triunfal, pegou também à primeira o seu último
toiro, quinto da tarde, por intermédio de Nuno Santos. Em baixo, o cabo José
Macedo Tomás na última pega da tarde, pelo Grupo de Coruche, à primeira


Foi um espectáculo agradável, de bom ritmo e com praça a rondar a lotação esgotada (faltaram vender cerca de cem bilhetes, informa o empresário José Luis Gomes) a corrida que ontem se realizou na praça de Sobral de Monte Agraço na data tradicional da sua Feira Taurina e que foi a 13ª da Auto Agrícola Sobralense, a empresa local dos irmãos Penedo, que este ano foi de homenagem à memória do saudoso Francisco Penedo, um homem que deixou saudades em todos os que com ele se cruzaram.
Antes do início da corrida e como aqui já referimos, a empresa rendeu homenagem à memória de Francisco Penedo e foi descerrada na fachada da praça de toiros uma placa que perpectua a memória deste "ilustre sobralense que de coração aberto, numa vivência de coragem e cordialidade contribuiu apaixonadamente para a glória e grandeza da festa da tauromaquia".
Lidaram-se toiros da ganadaria Canas Vigouroux de apresentação q.b., sem excesso de peso, de comportamento desigual.
Do cartel fizeram parte os quatro cavaleiros de que Francisco Penedo foi apoderado - Luis Rouxinol, Ana Batista, António Maria Brito Paes e Luis Rouxinol Jr. - bem como Duarte Pinto e Manuel Telles Bastos (que é apoderado por Pedro Penedo) e os grupos de forcados amadores de Lisboa e de Coruche.
Além dos irmãos do homenageado, Lúcia, Pedro e Diogo, assistiram à corrida a viúva e a filha de Francisco Penedo, Elsa e Marta e o festejo contou também com a honrosa presença de José Alberto Quintino, presidente da Câmara de Sobral, um autarca sem complexos de dar a cara pela arte tauromáquica e pela tradição. Para José Luis Gomes, o empresário que há alguns anos gere esta praça, a corrida de ontem, com um cartel bem rematado e de estilos diversificados, constituiu mais um êxito de praça cheia.
As lides foram distintas, pelo também distinto comportamento dos toiros, mas todas de alto nível, tendo-se destacado Duarte Pinto, naquela que foi uma das suas grandes lides da temporada; António Maria Brito Paes, cavaleiro que está em excelente forma e não se entende porque não toureia mais; e Luis Rouxinol Júnior, que mexeu com o público e galvanizou tudo e todos com a emotiva lide ao último toiro da tarde.
Menos bafejados pela sorte com os toiros que lhes tocaram, mas nem por isso menos empenhados e esforçados, estiveram Luis Rouxinol, com um primeiro toiro com pouca força e escassa transmissão; Ana Batista, na lide de um manso a que deu a volta, reafirmando a sua imensa classe e o seu muito ofício; e Manuel Ribeiro Telles Bastos, com um toiro reservado e manso, que lidou com superioridade e a classe que o carcateriza.
As pegas estiveram a cargo dos grupos de forcados amadores de Lisboa e de Coruche. Pelos lisboetas foram caras Mário Leal, Daniel Batalha e Nuno Santos, os três à primeira tentativa e com o grupo sempre em grande nas ajudas. Pelos coruchenses brilharam os irmãos António Tomás (segunda pega da tarde, à primeira) e José Tomás, o cabo (última pega, também à primeira). O quarto toiro, o complicado Canas Vigouroux lidado por Telles Bastos, deu que fazer ao Grupo de Coruche. O consagrado João Prates ficou inanimado na arena (mas recuperou na enfermaria e regressou mais tarde à trincheira) na primeira tentativa para o pegar, seguiram-se mais três tentativas de Vitor Cardante, que também saíu maltratado e outras duas de João Carvalho, que na sua segunda intervenção a sesgo (que foi a sexta) pegou finalmente o toiro.
A corrida teve direcção acertada de João Cantinho, que esteve assessorado pelo médico veterinário José Manuel Lourenço.

Fotos Mónica Mendes