sábado, 22 de fevereiro de 2020

"Caso João Moura": João Duarte assume "Gabinete de Crise" em defesa do cavaleiro

Empresário João Duarte assumiu ontem a liderança do "Gabinete de Crise" neste
momento particularmente difícil da carreira de João Moura e defendeu o toureiro
numa entrevista à SIC no "Programa da Cristina"
João Duarte, na foto com João Moura e a actriz Rita Pereira em 2009 na Ilha
Terceira, já foi apoderado de João Moura e assumiu ontem de novo as funções
de assessor do cavaleiro. Em baixo, a primeira página do "Correio da Manhã" de
ontem: Moura condenado na praça pública


O empresário tauromáquico João Duarte, antigo apoderado de João Moura, assume-se agora como seu assessor e lidera o "Gabinete de Crise" no mais difícil momento da carreira do famoso toureiro

Julgado e condenado na praça pública por alegados maus tratos aos seus cães galgos, dezoito dos quais foram apreendidos pela GNR, tendo já morrido uma cadela e estando outro cão em estado crítico, o cavaleiro João Moura, máxima figura do toureio equestre mundial, de 59 anos, vive o momento mais difícil de toda a sua carreira, já com meio século de história e até mesmo no meio tauromáquico há já muita gente revoltada e que o está a "crucificar", pondo em risco a própria continuidade da sua actividade nas arenas.
"Se for verdade que tinha os cães naquele estado deplorável, terá que pagar pelo que fez e dificilmente vai voltar a ser aceite no mundo tauromáquico, apesar da muita importância que teve como grande revolucionário da arte de tourear a cavalo e de ter tido o mundo a seus pés", disse ao "Farpas" um conhecido empresário taurino, salientando que "além do mais, este escândalo não o afecta só a ele, mas também aos seus dois filhos, os também cavaleiros, João Júnior e Miguel e ainda a todo o mundo da tauromaquia, pois vivemos um momento particularmente complicado e uma coisa destas só vem ajudar anda mais a enterrar a Festa Brava".
Já a Associação Nacional de Toureiros, que é presidida pelo antigo cavaleiro Nuno Pardal, veio hoje demarcar-se do número um dos cavaleiros, afirmando que não se podem "confundir atitudes pessoais, que só a este dizem respeito, com a classe profissional a que pertence", frisando que "qualquer tentativa de ligar a tauromaquia, toureiros e aficionados a este tipo de comportamentos é irresponsável e indigna".
A Associação Nacional de Toureiros apela "a que se aguarde o normal desenrolar do processo, bem como das investigações criminais e suas conclusões", deixando bem claro que "repudiamos qualquer ilícito desta ordem que venha a provar-se ter sido cometido por João Moura ou qualquer outro cidadão".
Entretanto, o empresário João Duarte, antigo apoderado do cavaleiro, assumiu desde ontem a defesa de João Moura e apresentou-se como seu assessor numa entrevista à SIC no "Programa da Cristina", onde procurou desdramatizar a situação, apresentando uma nova versão sobre os factos, tentando agora "atirar as culpas" da subnutrição dos galgos para "um trabalhador" da quinta de Monforte que teria "desaparecido" e "não os alimentara devidamente" durante um período em que o toureiro teria estado ausente em Espanha.
Já esta manhã, em declarações ao "Farpas", o antigo apoderado de João Moura pôs mesmo em causa que "alguns dos galgos que apareceram em muitas das fotos que foram exibidas nos últimos dias sejam verdadeiramente os galgos dele". "É uma coisa que vão ter que provar em tribunal através dos ship's dos cães", acrescentou.
Ontem na entrevista à SIC, João Duarte criticou também o facto de a GNR ter apreendido os cães e os ter alegadamente mantido "em péssimas condições numa carrinha de grades dentro da praça de toiros de Monforte", defendendo que "se existiam ordens judiciais nesse sentido, os animais deveriam ter permanecido na quinta, acompanhados por um veterinário da Câmara".
O agora assessor de João Moura alega ainda que "alguns cães estavam de facto doentes e o João não os quis abater, como muita gente faz".
João Duarte acrescenta que Moura está "tranquilo", sente-se "desapoiado", "vive há alguns anos momentos particularmente difíceis do ponto de vista económico", mas "conheço-o à quarenta anos, fartou-se de tourear gratuitamente a favor de instituições de solidariedade, é um homem com um coração enorme e só quem não o conhece pode acreditar que seja culpado numa coisa destas...".
Na internet circulam entretanto duas Petições Públicas, uma exigindo a prisão do cavaleiro e outra defendendo que seja impedido de prosseguir nas arenas a sua actividade profissional.
João Moura não se encontra em Monforte desde que estalou este escândalo. Está em casa "de um amigo" e hoje mesmo vai estar reunido com João Duarte e com o seu advogado, a fim de traçar a sua defesa.
"Neste país é 'normal' julgar-se e condenar-se uma pessoa na praça pública, mas não nos podemos esquecer que, maus ou bons, temos Tribunais e investigadores que deverão agora apurar e esclarecer toda esta situação", diz, a terminar, João Duarte.
João Moura arrisca uma pena de prisão até dois anos, agravada pelo facto de um dos animais já ter entretanto morrrido e também pode vir a ser condenado ao pagamento de uma multa por maus tratos a animais de companhia.
O caso está, enttretanto, a agitar todo o meio taurino nacional, que vive momentos complicados há já algum tempo, agravados agora com a indefinição sobre o futuro da primeira praça de toiros do país, a do Campo Pequeno, em Lisboa.

Fotos D.R.