sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Façam a fineza de respeitar o toureio a pé!

Miguel Alvarenga - Uma coisa é promover um festival taurino misto dignificando o toureio a pé, com a inclusão de um número de matadores e novilheiros idêntico ao de cavaleiros, como o fazem há anos Joaquim Grave em Mourão e José Luis Gomes em Sobral de Monte Agraço nos festivais que organizam na fase inicial de cada temporada; outra coisa é fazer como agora vai acontecer nos já anunciados festivais da Granja e do Montijo, onde os respectivos organizadores se limitaram a incluir no cartel de seis cavaleiros um matador de toiros (por acaso o mesmo nos dois festejos, "Cuqui"), apenas e só para cumprirem o que ficou acordado entre os sócios da APET há três anos, mas que só nesta temporada é posto em prática... porque Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da Associação de Empresários, os lembrou de que estavam esquecidos do que ficara combinado...

Os empresários, não sei se pressionados na altura pela Associação de Toureiros (são tudo organizações que têm nome e de vez em quando dão à costa, mas na prática não existem, nem contam para o campeonato... infelizmente) acordaram entre si que os festivais taurinos de início (ou de final) de temporada deveriam ser mistos, isto é, deveriam incluir toureio a pé. Como, aliás, acontecia nos tempos de ouro da nossa tauromaquia (anos 60, 70, depois isso acabou, chegaram os anos de ouro da cavalaria lusitana e os toureiros a pé ficaram, pura e simplesmente, apeados...).

Acordaram que os festivais passariam a ser mistos. Mas depois esqueceram-se do acordo. E os festivais, excepção feita aos já referidos de Mourão e Sobral, continuaram a ser "a cavalo". No final do último ano, Paulo Pessoa de Carvalho lembrou aos associados da APET que andavam a comer queijo a mais e nunca mais se tinham lembrado da história dos festivais serem mistos...

E a lembrança de Paulo teve efeitos. Mas não os que se desejavam.

Anunciou-se já um festival taurino na Granja - com seis cavaleiros e um matador ("Cuqui", como disse em cima), anunciado ainda por cima em letras mais pequenas que as dos ginetes. E esta sexta-feira foi também anunciado outro festival na Monumental do Montijo... também com seis cavaleiros e um só matador. Por sinal, o mesmo "Cuqui".

As coisas ou se fazem a sério, com prestígio e dignidade para o toureio a pé. Ou não vale a pena fazerem-se. Os festivais, assim, são mistos, sim senhor. E os senhores que os organizam ficam livres de mais chatices e cumprem o que acordaram há três anos e nunca mais se tinham lembrado de cumprir. 

Mas com este formato ignóbil de um toureiro a pé, seja matador ou novilheiro, enfiado no cartel no meio da cavalaria, não se está, de forma alguma, a dignificar - e muito menos a respeitar - o toureiro a pé.

Está, antes, a dar-se uma esmola envergonhada aos homens dos trajes de luces. Assim como se dá uma moedita a um pedinte.

Vergonha.

Façam a fineza de respeitar o toureio a pé!

Foto M. Alvarenga