Jaime Amante, residente em Leiria (na foto de cima) e Fernando Marques, residente na Marinha Grande, falaram ao "Farpas" sobre "os momentos de angústia e verdadeiro desespero" que viveram nos últimos dias, em duas das cidades mais afectadas pela tempestade que se sentiu por todo o país.
Jaime Amante, crítico tauromáquico, antigo toureiro cómico (foi o único português que integrou o mais famoso grupo cómico-taurino espanhol, o infelizmente desaparecido "El Bombero Torero"), antigo apoderado e moço de espada, vive há vários anos em Leiria e, na zona onde mora, disse ao "Farpas" que "o cenário é um completo e desolador filme de guerra, só faltam as bombas...".
O telemóvel de Jaime Amante funcionou e ele próprio se admirou de ter conseguido receber a chamada quando o contactámos: "Estou em casa e umas vezes há rede, outras não. Estou há vários dias sem luz, sem água, sem gás, sem internet, sem nada. Tenho um pequeno fogareiro de campismo, que é o que nos tem safo. E tenho velas e lanternas. Não sabemos quando a situação ficará normalizada, mas salvo uma ou outra ocasião de sorte, como esta, em que tenho um pouco de rede e consigo falar ao telemóvel, estamos completamente isolados do mundo e são saber nada do que se passa...".
Jaime Amante seria amanhã distinguido no jantar de entrega de prémios do Clube Taurino do Concelho da Chamusca com o troféu Personalidade Taurina, mas já informou Tiago Prestes, presidente do Clube, da impossibilidade de estar presente: "Tenho o carro parado na garagem com a gasolina na reserva e não há combustível disponível em Leiria...".
O "Farpas" conseguiu também chegar à fala com Fernando Marques (antigo apoderado do saudoso Joaquim Bastinhas, conhecido aficionado, pai de Pedro Marques, o apoderado de Morante de la Puebla), que mora na Marinha Grande, outra das cidades mais afectadas - e mais "estragada" - pelo temporal que assolou o país.
Há dois dias que o tentávamos contactar, mas o telemóvel estava inacessível. Finalmente esta manhã atendeu-nos. Fernando Marques encontra-se em Vila Viçosa, com sua Mulher, Guiomar. Disse-nos:
"Tivemos que 'fugir' da Marinha Grande depois daquele caos. Voou parte do telhado da nossa casa... Pensámos ir para qualquer outro lado onde houvesse água, luz, internet e acabámos por vir para Vila Viçosa, até porque o meu filho e o Morante tinham ido a Lisboa ver o desafio de futebol do Benfica com o Real Madrid e depois vieram para aqui porque no sábado, em princípio, têm uma tenta em Espanha próximo da fronteira".
Sobre os estragos que sofreu a casa na Marinha Grande, diz-nos Fernando que "são grandes, mas agora nem quero ver ou saber disso, quando vier o Verão tudo seca e tudo se arranja... é assim que temos que pensar e encarar as coisas. Graças a Deus, estamos vivos e, fisicamente, nada sofremos".
Fotos Emílio de Jesus/Arquivo e D.R.


