

João Nunes Patinhas (foto da esquerda), cabo fundador dos
Forcados Amadores de Évora, quebra o silêncio pela primeira vez. Com a
autoridade, o prestígio e a antiguidade que lhe conferem o estatuto de fundador
do grupo e de histórico e grande forcado que foi, ainda e sempre uma referência no mundo da tauromaquia, fala em exclusivo ao "Farpas" de todo o processo que levou à expulsão (destituição) do actual cabo, por coincidência seu filho, Bernardo
Patinhas.
E acusa um único responsável: "Tudo isto foi uma canalhice e uma punhalada nas costas do actual cabo, da responsabilidade do João Pedro Oliveira, antigo cabo também, um forcado que foi por mim formado no grupo e que quer, à viva força, pôr o seu filho como cabo". Di-lo sem papas na língua. E prova-o:
E acusa um único responsável: "Tudo isto foi uma canalhice e uma punhalada nas costas do actual cabo, da responsabilidade do João Pedro Oliveira, antigo cabo também, um forcado que foi por mim formado no grupo e que quer, à viva força, pôr o seu filho como cabo". Di-lo sem papas na língua. E prova-o:
"O João Pedro Oliveira encontrou há
pouco tempo um antigo forcado do nosso grupo em Lisboa, nas Amoreiras, e
disse-lhe textualmente que ia correr com o Bernardo de cabo, que não o queria
lá. Esse antigo forcado autorizou-me a contar isto e está disposto a testemunhá-lo
onde e quando seja preciso. Por isso, o João Pedro não pode continuar a negar
que é ele o responsável de toda esta vergonha que se está a passar no Grupo de
Forcados de Évora. Não foi para isto que fundei o grupo...".
Nas poucas declarações que fez sobre este conturbado processo, o ex-cabo João Pedro Oliveira negou sempre ter alguma coisa a ver com o caso. Disse mesmo que não era verdade que liderasse uma facção contra Patinhas.
Nas poucas declarações que fez sobre este conturbado processo, o ex-cabo João Pedro Oliveira negou sempre ter alguma coisa a ver com o caso. Disse mesmo que não era verdade que liderasse uma facção contra Patinhas.
O Grupo de Évora foi fundado em 11 de
Agosto de 1963 por João Patinhas, estreando-se nessa data na praça do Redondo
com toiros da ganadaria Lampreia. Patinhas (na foto de cima, com os seus forcados numa digressão ao México) comandou o grupo até 1989, ano em
que foi substituído por João Pedro Oliveira, cabo até 2001. Seguiu-se João
Pedro Rosado e em 2008 Bernardo Patinhas assumiu o comando.
João Pedro Oliveira (foto da direita) terá sido agora o
"obreiro" deste nada esclarecido "golpe de estado" que
levou à destituição de Bernardo Patinhas - que comandará o grupo pela última
vez no próximo dia 30 na tourada de gala que encerra a temporada na Arena
D'Évora.
Patinhas não vai despir a jaqueta, nem
sequer pretende despedir-se como cabo. No jantar, que se seguirá à corrida,
tenciona por fim dizer de sua justiça, fazer acusações e lamentar todo este
processo, pouco normal nos grupos de forcados quando se trata de substituir o
cabo. A seguir, tem outros projectos. Que, segundo apurámos, podem passar pela
formação de um outro grupo de forcados na cidade-museu.
O "golpe de estado", segundo
nos conta João Patinhas, iniciou-se "há alguns meses, sem que nós
tivessemos dado conta disso".
"Houve reuniões secretas em casa de
antigos forcados, promovidas pelo João Pedro Oliveira, que conseguiu arrastar
neste processo o também antigo cabo João Pedro Rosado que, segundo sei, até tem falado com o Bernardo e sempre se tem procurado colocar à margem desta trapalhada. Finalmente, fizeram um
jantar num restaurante em Évora onde comunicaram a sua decisão - destituir o
Bernardo - sem dar oportunidade, sequer, aos actuais elementos do grupo de se
manifestarem. Decidiram, estava decidido..." - conta João Nunes Patinhas.
"Independentemente de ser meu
filho, uma coisa não tem a ver com a outra, trata-se de um processo vergonhoso
e nada normal nos grupos de forcados. O que se passou aqui foi, repito, uma canalhice e
uma punhalada nas costas do cabo, dada pelo antigo cabo Oliveira. Ele não o
admite e insiste em desmentir, mas os homens devem assumir os seus actos e não
esconder-se e tentar negar o que é uma realidade" - acusa o cabo fundador
do grupo.
António Alfacinha, valoroso forcado do
grupo, é o cabo que se segue a Patinhas, mas diz-se que apenas transitoriamente
e que a chefia passará depois para João Pedro Oliveira (filho).
"O António Alfacinha não quer ser
cabo. Está farto de telefonar ao meu filho a dizer que não tem nada a ver com
isto e que não quer o comando do grupo. Quanto a mim, está a ser manietado pelo
João Pedro Oliveira e está também a ter uma atitude cobarde, não assumindo que
não quer ser cabo, deixando-se ir na onda..." - alerta João Patinhas.
E diz, a terminar:
"Felizmente e sobretudo entre
antigos elementos do grupo, mas também entre a comunicação social e entre os
aficionados, está a mover-se uma enorme onda de solidariedade em torno do cabo
do grupo, em desagrado contra a expulsão e contra este vergonhoso processo
interno e pouco clarificado. É lamentável, a todos os títulos, que um grupo
como o de Évora tenha passado por isto. É, acima de tudo, um péssimo exemplo
para o espírito do forcado amador".
Bernardo Patinhas, novamente contactado hoje pelo "Farpas", voltou a escusar-se a fazer quaisquer comentários, remetendo todos os esclarecimentos para o próximo dia 30, data em que sairá pela derradeira vez à arena como cabo do grupo.
Bernardo Patinhas, novamente contactado hoje pelo "Farpas", voltou a escusar-se a fazer quaisquer comentários, remetendo todos os esclarecimentos para o próximo dia 30, data em que sairá pela derradeira vez à arena como cabo do grupo.
Fotos D.R. e M. Alvarenga/Arquivo

