segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vamos mas é ser homenzinhos, meninos! - Miguel Alvarenga analisa a crise no Grupo de Évora





Miguel Alvarenga - Primeiro ponto, quanto a mim fundamental: os vários intervenientes neste conturbado e nada clarificado processo têm vindo a público procurar salvaguardar a imagem, sobretudo a imagem que é dada para o exterior, do Grupo de Forcados Amadores de Évora, desculpando-se a fazer declarações e esclarecimentos para a não prejudicar.
Nada mais injustificável: a imagem do Grupo de Forcados de Évora já foi suficientemente abalada e mesmo "enlameada" com tudo o que aconteceu. Já não vale a pena tapar o sol com uma peneira. O escândalo está feito, a vergonha está na rua. Agora há que ter a coragem de vir a terreiro pôr os pontos nos iis e explicar por que razão, afinal de contas, a imagem de "um grupo de amigos", de "entreajuda", de "hermandade" que costuma caracterizar os grupos de forcados, neste caso foi por água abaixo.
O que se passou no Grupo de Évora, e o que se vai passar a seguir, é uma vergonha. É a anti-imagem do que deve ser a imagem de um grupo de forcados. Por tradição, como lembra Luis Capoulas na carta-aberta de solidariedade para com Bernardo Patinhas (foto da esquerda), a substituição de um cabo obedece a normas tradicionais - e, acima de tudo, normais.
O que se passou no Grupo de Évora foi um golpe palaciano, um "golpe de estado", uma traição, uma "punhalada e uma canalhice", como bem a definiu o cabo fundador João Patinhas - independentemente de se tratar do seu filho, trata-se de um cabo do grupo que ele fundou há 47 anos. E as coisas não podem, nem devem, ser resolvidas assim.
Depois, o caso deve urgentemente ser clarificado, explicado, esclarecido. Para não dar azo a versões multiplicadas que não corresponderão à verdade. E que prejudicam, uma vez mais, a já prejudicadíssima imagem exterior do Grupo de Évora. Temos que nos lembrar que não se trata de um grupo qualquer, mas sim de um dos mais antigos e mais prestigiados agrupamentos de forcados do país.
Infelizmente e apesar de não ser frequente (ainda bem), o caso não é propriamente único. Há uns anos, um cabo do Grupo de Vila Franca foi expulso num conturbado processo em que se multiplicaram veladas acusações, nunca fundamentalmente provadas na praça pública. Mais recentemente, o cabo do Grupo de S. Manços, Rui Piteira, foi também praticamente afastado num também "golpe de estado" interno que só não teve a repercussão deste caso pelas distâncias, pela importância e pela notoriedade que separam um grupo do outro.
João Pedro Oliveira, antigo cabo dos Amadores de Évora, tem sido frequentemente apontado a dedo como o principal "conspirador" da tramóia que levou à destituição de Bernardo Patinhas. Nas poucas vezes que tem prestado declarações sobre o caso, insiste sempre em desmentir isso - ou sim ou sopas. Não pode é continuar "escondido", na pele de presumível "conspirador", sem dar a cara, sem dizer a verdade.
Se é ele, na verdade, o autor ou inspirador do "golpe de estado", impõe-se que venha a público dizer de sua justiça. Se não gosta de Patinhas no comando do grupo, como terá dito a um antigo companheiro nas Amoreiras, então que venha à praça pública explicar por quê. A imagem que se tem de um forcado é a de um homem valente, corajoso, que não foge, que não se esconde e sobretudo que não apunhala outro forcado pelas costas e se esconde a seguir.
Bernardo Patinhas também não pode continuar a ser só a "vítima" de todo este processo e a manter o silêncio que tem mantido. Já devia ter vindo a público, há que séculos, fazer os esclarecimentos todos que está a adiar para o jantar a seguir à corrida de dia 30 em Évora. E que vai ele dizer? Vai fazer acusações a este e àquele, vai contar as suas mágoas no seio dos seus antigos companheiros? Das duas uma: ou acaba aclamado e continua cabo... ou o jantar acaba com todos à estalada.
Mais: neste momento, Bernardo Patinhas está a fazer a figura triste do marido "encornado" que continua a viver em casa, sob o mesmo tecto, com a ex-mulher e o amante dela. Continua a chefiar o grupo porquê, se já foi despedido há mais de um mês? Vai chefiar o grupo pela última vez no dia 30 em Évora para quê, se já não o querem lá? Salvo o devido respeito, anda há um mês a fazer aquilo a que se chama "figura de parvo".
E qual o papel de António Alfacinha? Presta-se o jovem Alfacinha (foto da direita) a fazer de "actor",  secundário ainda por cima, tele-comandado pelos "conspiradores", assumindo interinamente a chefia do grupo para a seguir a passar ao filho de Oliveira?
Há toda uma história muito mal contada - que é necessário e urgente clarificar, para que não restem dúvidas.
Quem não quer Patinhas no comando do grupo, tem que vir a terreiro explicar por que não o quer. Quem o quer, tem que impor a sua vontade e mandar às urtigas a conspiração dos "antigos", mantendo-o como cabo, esquecendo este triste episódio. E Patinhas, sobretudo, tem que vir explicar-se. Tem que esclarecer o que pensa de toda esta tramóia. Não pode limitar-se a dar a conhecer as cartas que lhe enviam a apoiá-lo. Tem que explicar por que o apoiam. E também quem o desapoia.
A imagem de um grupo de forcados, que desde miúdo ouvi dizer tratar-se de um grupo de amigos, de irmãos, não tem a ver com nada disto.
A imagem que fica do Grupo de Forcados de Évora, por mais que queiram tapar o sol com uma peneira, neste momento, é a de um bando de miúdos que se apunhalam pelas costas uns aos outros e se escondem a seguir atrás das saias das mamãs. Por outras palavras: o que se está a passar é uma vergonha.
É bom que o deixe de ser. Vamos a ser homenzinhos, meninos!

Fotos D.R.