

Miguel Alvarenga - Primeiro ponto, quanto a mim
fundamental: os vários intervenientes neste conturbado e nada clarificado
processo têm vindo a público procurar salvaguardar a imagem, sobretudo a imagem
que é dada para o exterior, do Grupo de Forcados Amadores de Évora, desculpando-se
a fazer declarações e esclarecimentos para a não prejudicar.
Nada mais injustificável: a imagem do
Grupo de Forcados de Évora já foi suficientemente abalada e mesmo
"enlameada" com tudo o que aconteceu. Já não vale a pena tapar o sol
com uma peneira. O escândalo está feito, a vergonha está na rua. Agora há que
ter a coragem de vir a terreiro pôr os pontos nos iis e explicar por que razão,
afinal de contas, a imagem de "um grupo de amigos", de
"entreajuda", de "hermandade" que costuma caracterizar os
grupos de forcados, neste caso foi por água abaixo.
O que se passou no Grupo de Évora, e o
que se vai passar a seguir, é uma vergonha. É a anti-imagem do que deve ser a
imagem de um grupo de forcados. Por tradição, como lembra Luis Capoulas na
carta-aberta de solidariedade para com Bernardo Patinhas (foto da esquerda), a substituição de um
cabo obedece a normas tradicionais - e, acima de tudo, normais.
O que se passou no Grupo de Évora foi um
golpe palaciano, um "golpe de estado", uma traição, uma
"punhalada e uma canalhice", como bem a definiu o cabo fundador João
Patinhas - independentemente de se tratar do seu filho, trata-se de um cabo do
grupo que ele fundou há 47 anos. E as coisas não podem, nem devem, ser
resolvidas assim.
Depois, o caso deve urgentemente ser
clarificado, explicado, esclarecido. Para não dar azo a versões multiplicadas
que não corresponderão à verdade. E que prejudicam, uma vez mais, a já
prejudicadíssima imagem exterior do Grupo de Évora. Temos que nos lembrar que
não se trata de um grupo qualquer, mas sim de um dos mais antigos e mais
prestigiados agrupamentos de forcados do país.
Infelizmente e apesar de não ser
frequente (ainda bem), o caso não é propriamente único. Há uns anos, um cabo do
Grupo de Vila Franca foi expulso num conturbado processo em que se
multiplicaram veladas acusações, nunca fundamentalmente provadas na praça
pública. Mais recentemente, o cabo do Grupo de S. Manços, Rui Piteira, foi
também praticamente afastado num também "golpe de estado" interno que
só não teve a repercussão deste caso pelas distâncias, pela importância e pela
notoriedade que separam um grupo do outro.
João Pedro Oliveira, antigo cabo dos
Amadores de Évora, tem sido frequentemente apontado a dedo como o principal
"conspirador" da tramóia que levou à destituição de Bernardo
Patinhas. Nas poucas vezes que tem prestado declarações sobre o caso, insiste
sempre em desmentir isso - ou sim ou sopas. Não pode é continuar
"escondido", na pele de presumível "conspirador", sem dar a
cara, sem dizer a verdade.
Se é ele, na verdade, o autor ou
inspirador do "golpe de estado", impõe-se que venha a público dizer
de sua justiça. Se não gosta de Patinhas no comando do grupo, como terá dito a
um antigo companheiro nas Amoreiras, então que venha à praça pública explicar
por quê. A imagem que se tem de um forcado é a de um homem valente, corajoso,
que não foge, que não se esconde e sobretudo que não apunhala outro forcado
pelas costas e se esconde a seguir.
Bernardo Patinhas também não pode
continuar a ser só a "vítima" de todo este processo e a manter o
silêncio que tem mantido. Já devia ter vindo a público, há que séculos, fazer
os esclarecimentos todos que está a adiar para o jantar a seguir à corrida de
dia 30 em Évora. E que vai ele dizer? Vai fazer acusações a este e àquele, vai
contar as suas mágoas no seio dos seus antigos companheiros? Das duas uma: ou
acaba aclamado e continua cabo... ou o jantar acaba com todos à estalada.
Mais: neste momento, Bernardo Patinhas
está a fazer a figura triste do marido "encornado" que continua a
viver em casa, sob o mesmo tecto, com a ex-mulher e o amante dela. Continua a
chefiar o grupo porquê, se já foi despedido há mais de um mês? Vai chefiar o
grupo pela última vez no dia 30 em Évora para quê, se já não o querem lá? Salvo
o devido respeito, anda há um mês a fazer aquilo a que se chama "figura de
parvo".
E qual o papel de António Alfacinha?
Presta-se o jovem Alfacinha (foto da direita) a fazer de "actor", secundário ainda por cima, tele-comandado pelos
"conspiradores", assumindo interinamente a chefia do grupo para a
seguir a passar ao filho de Oliveira?
Há toda uma história muito mal contada -
que é necessário e urgente clarificar, para que não restem dúvidas.
Quem não quer Patinhas no comando do
grupo, tem que vir a terreiro explicar por que não o quer. Quem o quer, tem que
impor a sua vontade e mandar às urtigas a conspiração dos "antigos",
mantendo-o como cabo, esquecendo este triste episódio. E Patinhas, sobretudo,
tem que vir explicar-se. Tem que esclarecer o que pensa de toda esta tramóia.
Não pode limitar-se a dar a conhecer as cartas que lhe enviam a apoiá-lo. Tem
que explicar por que o apoiam. E também quem o desapoia.
A imagem de um grupo de forcados, que
desde miúdo ouvi dizer tratar-se de um grupo de amigos, de irmãos, não tem a
ver com nada disto.
A imagem que fica do Grupo de Forcados
de Évora, por mais que queiram tapar o sol com uma peneira, neste momento, é a
de um bando de miúdos que se apunhalam pelas costas uns aos outros e se
escondem a seguir atrás das saias das mamãs. Por outras palavras: o que se está
a passar é uma vergonha.
É bom que o deixe de ser. Vamos a ser
homenzinhos, meninos!
Fotos D.R.

