Miguel Alvarenga - Amanhã, 16 de Junho, estarão finalmente à venda os bilhetes para a corrida de inauguração da temporada do Campo Pequeno, a 21 de Julho, corrida de alternativa de Joaquim Brito Paes e do regresso a Lisboa de dois dos maiores cavaleiros dos últimos anos, António Ribeiro Telles e João Salgueiro, com o respectivos filhos - António Telles e João Salgueiro da Costa - e também o irmão do novo ginete, António Maria Brito Paes e dois dos melhores grupos de forcados, Montemor e Lisboa, com toiros de António Raul Brito Paes.
Amanhã é o dia em que temos todos que decidir: ou esgotamos a praça e manifestamos a sério a força da tauromaquia e a importância que o Campo Pequeno tem para todos nós; ou deixamos morrer a Catedral e a entregamos de mão beijada aos concertos, demonstrando assim que "nos estamos nas tintas" para aquela que foi durante mais de cem anos a primeira praça de toiros do país e uma das primeiras do mundo.
Há cento e trinta anos o Campo Pequeno ergueu-se para ser uma praça de toiros. As obras monumentais de recuperação e remodelação levadas a cabo pela Família Borges (a quem os aficionados se esqueceram de agradecer e homenagear - como ser impunha!) tornaram-na num magnífico espaço multiusos, centro de lazer lhe chamaram, sem contudo perder a essência e a razão dos fins para que foi construída: um palco nacional para corridas de toiros.
Este ano e mercê dos muitos concertos que a pandemia adiou nos últimos dois anos, o Campo Pequeno tem menos datas disponíveis para as corridas. Quatro apenas. No próximo ano, já pode tudo voltar ao normal. Ou não. Tudo depende da nossa adesão aos quatro espectáculos que ali vão ter lugar.
Se enchermos a praça, se esgotarmos a praça, mostramos a nossa força e mostramos a importância que o Campo Pequeno tem para todos nós. Se o não fizermos, demonstramos o nosso desinteresse, demonstramos que tanto nos faz ter ou não ter o Campo Pequeno. E abrimos então as portas ao fim de uma História com centro e trinta anos de glória, de glamour, de carisma e de uma importância sem par.
Tão simples como isto. Amanhã não podemos parar a História, temos que a continuar. Temos que esgotar o Campo Pequeno. Ou perdemos de vez a nossa Catedral.
Fotos D.R.



