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| Palha e Borges: os grandes triunfadores de Santarém |
Miguel Alvarenga - Verdadeiramente colossal nos dois toiros que lidou, Francisco Palha foi ontem o triunfador maior da segunda corrida da Feira do Ribatejo na Monumental de Santarém - pela atitude com que recebeu os dois Palhas com emotivas sortes de gaiola e pela forma com que os lidou, ultrapassando todas as (muitas) dificuldades que eles apresentaram. Reafirmou o momento altíssimo que atravessa, esteve ontem por cima de tudo e de todos, se calhar até dele próprio, superou-se!
O outro grande triunfador da corrida foi o heróico forcado Francisco Maria Borges, do Grupo de Montemor, com uma pega épica ao quarto toiro da tarde, ao terceiro intento, depois de na segunda tentativa ter ficado por momentos inconsciente na arena. Quando ninguém imaginava que voltaria à cara do toiro, levantou-se meio atordoado e fez gala dos seus pergaminhos de número-um da forcadagem, acabando por consumar a pega à terceira, com estoicismo, com decisão, com tremenda heroicidade.
O resto, tirando a emoção da actuação dos dois grupos de forcados, Santarém e Montemor (nota altíssima para os dois!), foi uma corrida sonsa, chata e com quase três horas e meia de duração, cheia de poeira e de calor, aquilo a que se pode chamar uma seca das antigas - muito por culpa da péssima qualidade dos toiros Palha, mauzinhos, cheios de sentido, muito sérios (isso sim, mas mais nada), sem condições de lide. Se estiveram 38 anos sem ir a Santarém, bem podem estar mais outros 38, que o pessoal agradece.
Luis Rouxinol (ontem não foi, decididamente, uma das suas grandes tardes, quando comemorava os 35 anos de alternativa) e João Ribeiro Telles (com dois toiros que se fecharam em tábuas e não lhe deram hipóteses de nada), fizeram das tripas coração frente aos ilidáveis Palhas. Estiveram empenhados, deram tudo de si, mas... sem ovos nunca se fizeram omeletas.
Nota alta, repito, para os forcados de Santarém e Montemor. Pelos da casa pagaram António Queiroz e Mello (à primeira), Francisco Cabaço (à quarta) e Francisco Graciosa (à segunda). Pelos de Montemor pegaram Vasco Carolino (à primeira), Francisco Maria Borges (à terceira) e terminaram com uma cernelha por intermédio do cabo António Cortes Pena Monteiro e Francisco Godinho.
Corrida bem dirigida pela mesma equipa que dirigira a de domingo: Manuel Gama ao leme, assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz, com toques a cargo do cornetim José Henriques.
Tarde de imenso calor com os sectores de sombra muito compostos e menos público, a resistir como os valentes, à torreira do sol.
Amanhã volto com a minha detalhada análise (vou refrescar-me com um duche, irra, que três horas e meia de Palhas como estes é fruta a mais para a paciência de um santo!), com as fotos das sequências das seis pegas, dos melhores momentos dos três cavaleiros, das brilhantes intervenções dos seis bandarilheiros de ouro e com todas as fotos dos Famosos.
Fotos M. Alvarenga
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| Rouxinol e Telles fizeram das tripas coração frente aos ilidáveis Palhas, puseram tudo de si, vinham decididos e com ganas, mas não tiveram ovos para fazer omeletas... |
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| Bancadas de sombra bem compostas, as de sol nem por isso. Deviam condecorar (era 10 de Junho) os espectadores que assistiram à tourada à torreira do sol... Chiça, penico, chapéu de côco! |







