quinta-feira, 9 de junho de 2022

Mau tempo no canal: empresários e forcados inseguros por causa dos seguros...

Miguel Alvarenga - Empresários e Forcados estão em "guerra aberta" por causa dos seguros dos últimos românticos da Festa e o braço de ferro, cujas andanças têm vindo a lume no site touroeouro.com, pode mesmo comprometer a realização de muitas corridas agendadas para depois do próximo domingo 12 de Junho, caso uns e outros não cheguem a um entendimento.

No grupo de WhatsApp da Associação de Empresários (APET) anda outra vez todo o mundo em alvoroço e a trocar galhardetes pouco amáveis...

A história resume-se em poucas palavras: a Associação Nacional de Grupos de Forcados quer que sejam os promotores das corridas (empresários), e não os Grupos de Forcados, a custear os seguros dos mesmos - que eram de 500 euros por corrida e este ano aumentaram para o dobro e são feitos por uma única empresa seguradora.

Escreve o touroeouro.com que apenas os Amadores de Montemor e os Amadores do Ramo Grande (da Ilha Terceira) têm neste momento seguro válido para toda a temporada de 2022. Os restantes grupos fazem-no de corrida em corrida.

Segundo reza o Regulamento Tauromáquico, é da responsabilidade do promotor do espectáculo (empresário) "constituir ou assegurar-se da existência de seguro de acidentes pessoais ou garantia ou instrumento financeiro equivalentes dos artistas tauromáquicos".

Uma lei com mais que uma leitura: "constituir a existência de um seguro" quer dizer que serão os empresários a fazê-lo (e a pagá-lo). "Asssegurar-se da existência" do mesmo já pode querer dizer que os empresários não têm obrigação de o pagar, mas apenas de se inteirarem se os grupos que vão pegar o têm em dia ou não.

Há, por isso, mais que uma interpretações para o que dita o Regulamento. E até aqui têm-se verificado as duas situações: ou pagam os empresários ou pagam os forcados. Na maior parte das vezes, pagam os forcados. E é isso que eles querem deixar de fazer.

Não há bom tempo no canal. Mas há quem nos garanta que isto é "uma guerra sem sentido" e mesmo "sem gravidade", apesar da especulação que está a ter - e que a APET e a ANGF se entenderão, sem prejudicar, portanto, nenhuma das próximas corridas. Oxalá assim seja. Para bem de todos.

Já agora, pergunto: os forcados são obrigados a ter seguro, os toureiros não?...

Foto D.R.