Miguel Alvarenga - Actuação duríssima e brilhante dos grupos de forcados Amadores de Santarém (comandados por João Grave) e Amadores de Montemor (sob a chefia de António Cortes Pena Monteiro), frente a toiros muito sérios, muito ásperos e muito maus da ganadaria Palha, ontem na Monumental "Celestino Graça", em Santarém - de que já mostrámos há momentos a pega heróica de Francisco Maria Borges, do Grupo de Montemor, e de que aqui ficam agora as sequências das outras.
Os dois grupos (primeira e quinta pegas) brindaram ontem duas intervenções à Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF), na pessoa do seu presidente Diogo Durão, que também integra a fantástica Associação "Sector 9", responsável pela - brilhante - gestão da praça de Santarém. Na última pega, que foi de cernelha, o Grupo de Montemor brindou ao seu antigo forcado José Gomes da Silva, o histórico "Turra".
António Queiroz e Mello, do Grupo de Santarém, fez a primeira pega da corrida, brindada ao cavaleiro Luis Rouxinol, que comemorava onde o 35º aniversário da sua alternativa (recebida nesta mesma praça), a um toiro que foi, de todos, o menos complicado e o que fez menos mal. Foi pelo seu caminho, não criou dificuldades de maior ao forcado e o valente António, bem a recuar e a reunir, pegou-o à primeira com a galhardia habitual, muito bem ajudado pelos companheiros. Bem a rabejar esteve José Fialho - neste e nos dois outros toiros do grupo. O forcado deu aplaudida volta à arena com Luis Rouxinol.
Para a cara do segundo toiro, mais complicado, foi o valoroso Vasco Carolino, dos Amadores de Montemor, que consumou uma pega rija e dura, valente e emotiva, aguentando fortes derrotes, com o grupo, como sempre, a "ajudar à Montemor", com coesão e rigor. Grande pega. João Telles não deu volta e Carolino deu-a a solo Pareciam as coisas bem encaminhadas para a forcadagem, face à dureza dos toiros de Palha, mas depois...
Francisco Cabaço, jovem valor dos Amadores de Santarém, autor de uma grande pega na corrida de domingo anterior, foi para a cara do terceiro Palha, que não fora nada fácil, na lide, para João Telles. Fez uma pega brilhante, mas à quarta tentativa, depois de nas três primeiras ter sido sempre violentamente despejado com derrotes secos e brutais, tipo "murros no estômago" com uma força tremenda. Francisco nunca virou a cara, esteve esteve valente e estóico nas suas quatro intervenções. No final, ficou entre tábuas, mas o público reconheceu o seu valor com uma calorosa ovação.
A quarta pega da tarde foi a de Francisco Maria Borges, já aqui referida em pormenor anteriormente. Passemos à quinta, que foi consumada à segunda tentativa por outro grande forcado dos Amadores de Santarém, o já experiente e consagrado Francisco Graciosa. Na primeira tentativa, mal o sentiu na cara, o toiro despejou-o com um violento derrote lateral. Na segunda, Francisco Graciosa fez garbo da sua experiência, da sua técnica enorme e do seu brio e fechou-se com decisão e muito querer. Aguentou um fortíssimo e alto derrote e foi prontamente ajudado, muito bem, pelos companheiros. João Telles não quis dar volta à arena e Francisco também não a deu, agradecendo uma grande ovação no centro da arena.
O Grupo de Montemor pegou de cernelha o último Palha da corrida, outro toiro nada fácil, com sentido apurado, complicado. Fê-lo, provavelmente, antevendo as dificuldades que o toiro poderia dar na pega de caras, mas sobretudo porque é apanágio deste grupo, há tantos anos, executar esta sorte de pega, de que foram máximos intérpretes o antigo cabo António José Zuzarte e o saudoso e sempre lembrado Simão Comenda.
O cernelheiro foi o cabo António Pena Monteiro e o rabejador foi o emblemático e sempre eficaz Francisco Godinho, que estivera já superior nas duas pegas anteriores do grupo. Cheio de sentido, o toiro tardava em encabrestar, por mais tentativas que fizessem os briosos campinos. O bandarilheiro Jorge Alegrias interveio e foi aparatosamente colhido, felizmente sem consequências. E foi precisamente no momento em que o toiro "lhe dava atenção" que os forcados entraram e consumaram a cernelha.
Num acto de muita dignidade e de respeito pelo toureiro, António Pena Monteiro e Francisco Godinho decidiram voltar a executar a cernelha, apesar de a mesma ter ficado concluída com eficácia, pelo facto de a terem consumado "à custa da fatalidade" de Alegrias. Um gesto que temos que aplaudir - e louvar. Na nova entrada, em que se fechou primeiro o cernelheiro, o rabejador acabou por chegar e o toiro ficou pegado.
Fique agora com as sequências das pegas.
Fotos M. Alvarenga
![]() |
| Começou bem a tarde com uma grande pega à primeira do valoroso António Queiroz e Mello, do Grupo de Santarém, muito bem na cara do toiro e com o grupo enorme a ajudar. Bem José Fialho a rabejar |
![]() |
| Complicada, mas valente, a terceira pega, por Francisco Cabaço (Santarém), consumada à quarta tentativa |
![]() |
| Grande pega de cernelha por António Pena Monteiro e Francisco Godinho ao último Palha da corrida |





















































































