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| Luis Rouxinol homenageado ao início da corrida |
Miguel Alvarenga - Francisco Palha sagrou-se ontem, sem sombra de dúvidas, como grande triunfador da segunda e última corrida da Feira do Ribatejo, em Santarém, na Monumental "Celestino Graça", em tarde de imenso calor, com os sectores de sombra muito bem compostos de público e menos espectadores nos de sol.
O outro triunfador da tarde, verdadeiro herói, como já aqui referimos, foi o forcado Francisco Maria Borges, dos Amadores de Montemor, na pega ao quarto toiro da corrida.
O espectáculo demorou três horas e mais e foi sonso, apesar do empenho e do esforço dos três cavaleiros e dos dois grupos de forcados, muito por culpa da escassa condição de lide evidenciada pelos seis toiros da ganadaria Palha. Toiros sérios e duros, ásperos e maus (maus, com maldade), verdadeiramente "intragáveis", com apresentação suficiente, sem quilos a mais, mas, no comportamento, mais próprios para gladiadores do que para toureiros e forcados.
Não foram completamente ilidáveis, todos os toiros, bons ou maus, têm lide. Melhor ou pior, mais fácil ou mais esforçada. Mas há ganadarias duras, se o caso a destacar era esse, com muito mais garantias de sucesso para os artistas. Os Palhas, imprevisíveis, dando fortes "arreões", de investidas nada claras, complicaram ontem a vida aos cavaleiros e dificultaram as coisas aos forcados, acabando por maçar o público. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Nem "nhoc-nhoc's", nem Palhas como estes.
Luis Rouxinol comemorou os seus 35 anos de alternativa, recebida nesta mesma arena numa recordada corrida da Rádio Renascença com a praça esgotada, daquelas que o saudoso Manuel Gonçalves ali organizava todos os anos.
Ao início da corrida recebeu na arena várias lembranças alusivas à efeméride e também as homenagens do presidente da Câmara, Ricardo Gonçalves, e do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, Hermínio Martinho, antigo deputado e ex-líder do PRD do General Ramalho Eanes.
Como sempre, Rouxinol esteve bem nos dois toiros. O primeiro foi, dos seis, o mais "toureável" e o que menos complicou. O quarto da ordem também foi um toiro "comestível". Houve três que "se deixaram", precisamente os dois de Rouxinol e o terceiro, que coube a Francisco Palha. Os outros, nem por isso...
Luis Rouxinol teve duas lides acertadas, fez tudo bem feito, não se livrou de um valente "encontrão" de um Palha (eles não perdoam nada...), mas ontem não se pode dizer que tenha sido uma tarde como aquelas a que nos habituou. Não chegou a "explodir", estando bem.
João Ribeiro Telles não teve a sorte do seu lado, mas vinha com ganas de marcar e dar continuidade aos triunfos anteriores. O segundo toiro da tarde deixou-se tourear, mas era incómodo, reservado, dava "arreões". João Telles lidou-o com arte, com valor, pisando a linha de fogo, arriscando, procurando o triunfo que não chegou a surgir em força. Lide muito digna e com muita entrega, mas também sem "explosões". Com ferros bons. No final não deu volta à arena.
O seu segundo toiro, quinto da ordem, era o sobrero, porque, incompreensivelmente e sem que se consiga perceber como acontecem coisas destas, o que lhe cabia em primeiro lugar entrou na arena sem um corno (um toiro unicórnio...) e desembolado. Partir um corno, pode acontecer. Sair desembolado já é menos normal. Sair sem um corno e desembolado é que não lembra ao diabo. Estavam a dormir os homens dos curros?... Enganaram-se na porta que abriram?...
O sobrero era um verdadeiro "coirão" e cedo começou a descair para tábuas, desinteressando-se rapidamente da luta. João fez das tripas coração para o lidar, resolveu a papeleta com arriscadas sortes a sesgo, a actuação não teve o brilhantismo desejado e, uma vez mais, não deu volta à arena no fim.
Ontem o 2º round da competição entre a dupla do momento foi claramente ganho por Francisco Palha, depois de um empate no primeiro, dias antes em Alcochete. E assim cresce ainda mais a expectativa para o terceiro, que vai acontecer em Vila Franca a 3 de Julho na corrida mista do Colete Encarnado, com toiros de Murteira Grave.
Palhinha recebeu os seus dois toiros em emotivas sortes de gaiola, o que atesta bem sobre a atitude e as ganas com que ontem esteve em Santarém. A isto, acrescento ainda o facto de ter aceite voltar a enfrentar toiros da mesma ganadaria a que pertencia o que o colheu em Setembro do ano passado na "Palha Blanco", sabendo, à partida, que as garantias de êxito eram muito poucas com os Palhas.
Mas o cavaleiro impôs-se aos toiros, superou todas as dificuldades. Se o terceiro foi assim-assim, o sexto foi um toiro complicado, como quase eles todos. Mas Palha esteve por cima, bregando com muito acerto, entrando por ele dentro, deixando ferros de uma tremenda emoção que fizeram explodir o público nas bancadas. Praça em pé a aplaudi-lo.
Um triunfo importantíssimo e um grito, bem alto, a dizer que quer rapidamente assumir o comando do pelotão e sair triunfador desta primeira temporada pós-pandemia.
Sobre os forcados de Santarém e Montemor, também triunfadores da corrida de ontem, já aqui disse tudo, bem como sobre a excelente intervenção dos seis bandarilheiros.
Resta acrescentar que a corrida foi acertadamente dirigida por Manuel Gama, com assessoria do médico veterinário José Luis da Cruz e que ao início, por ser Dia de Portugal, se tocou o Hino Nacional.
De resto, um aplauso ao público pela paciência com que suportou o calor durante três longas horas e meia numa corrida que, tendo belíssimos momentos de toureio e grandes pegas, acabou por ser uma seca interminável pelos toiros de Palha, irra!
Fotos José Canhoto e M. Alvarenga
Já a seguir, não perca os melhores momentos das lides dos três cavaleiros.


