![]() |
| Gonçalo Fernandes foi ontem o triunfador na Benedita |
Fernando José - Um curro de toiros "duro de roer" da ganadaria Fontembro saiu ontem à praça na 18ª Corrida da Benedita obrigando os seis cavaleiros a uma grande entrega, tal como os três grupos de forcados presentes, que saíram muito molestados nas rijas pegas que tiveram pela frente.
Numa tarde de muito calor abriu praça o cavaleiro Marco José, que se apresentou muito motivado frente ao seu opoente, efectuando uma lide muito positiva, retribuindo o público com fortes aplausos, pode-se mesmo afirmar que assinou uma prestação de menos a mais, terminando a sua a actuação com uma perfeita sorte de violino com o veterano cavalo “Girassol”.
Para a segunda lide saiu um bonito toiro cheio de força e muita pata, mas a sorte não esteve do lado da cavaleira Sónia Matias que apenas cravou dois ferros compridos, dado que a seguir o toiro embateu violentamente num burladero acabando por partir um corno, o que levou a directora de corrida Ana Pimenta a ordenar a sua recolha.
De seguida foi a vez de actuar o cavaleiro Paulo Jorge Santos, que entrou com ganas de segurar o prestígio ali conquistado. Entrou alegre, cravou bem os ferros compridos, mas depois "pesou" o coração e pediu autorização à direcção da corrida para compartilhar a lide do toiro com Sónia Matias, uma vez que esta tinha cravado apenas dois ferros no seu toiro - um momento de grande emoção que os aficionados entenderam na perfeição, aplaudindo o nobre gesto de cortesia de um Senhor.
O cavaleiro de Vila Franca esteve muito bem, quer na cravagem, quer na brega, momentos que "aqueceram" - e de que maneira! - as bancadas. Já por parte de Sónia Matias a sorte não esteve do seu lado, mostrou muito nervosismo, as coisas não sairam bem e no final notava-se algum desalento por parte da cavaleira de Porto Alto.
Quem aproveitou bem a oportunidade foi o cavaleiro Gonçalo Fernandes - que lidou a gosto, com alegria, esteve perfeito tanto na cravagem dos ferros compridos como nos curtos, perante mais um toiro que não foi fácil de lidar, mas o cavaleiro de Seia esteve sempre por cima partilhando o seu entusiasmo com o público, saindo triunfador da corrida.
Diz o ditado que "não há quinto mau", mas desta feita o ditado popular não vingou. Marcelo Mendes brindou a sua lide a João Guerra, o grande mentor desta corrida na Benedita, pela oportunidade que lhe concedeu. E, tal como os anteriores, calhou-lhe um bravo Fontembro com muita pata, não permitindo pausas ao cavaleiro do Oeste que na finalização de uma brega acabou por cair quando o seu cavalo embateu num burladero, um momento de apuro felizmente sem consequências, mas que em nada molestou a actuação positiva do cavaleiro do Oeste.
Para fechar a tarde de toiros, saiu a "fava" a David Gomes: um imponente toiro, mas que desde cedo se fechou em tábuas, dificultando a actuação, obrigando o cavaleiro a uma entrega de "grande suor", mostrando toda a sua valentia, passando na prova com uma nota muito positiva, toureando, lutando e correndo o risco, que esteve sempre a seu lado.
Já no que toca a pegas, a tarde não foi fácil para os rapazes das ramagens, viveram-se momentos de emoção, mas também de angústia, pois os imponentes, poderosos e perigosos toiros da ganadaria Fontembro "deram água pela barba" aos três grupos de forcados.
O primeiro toiro foi pegado pelo forcado Francisco Coelho dos Amadores de Tomar à segunda tentativa. Já o segundo astado não foi pegado por ter sido recolhido aos currais a meio da lide. O terceiro toiro foi pegado por Eduardo Belfo, dos Académicos de Elvas. Paulo Sousa, do grupo do Clube Taurino Alenquerense, assinou a pega da tarde com uma vistosa consumação à primeira tentativa. O quinto toiro foi pegado à segunda tentativa por Fábio Sousa, dos Amadores de Tomar.
A encerrar a corrida viveram-se momentos delicados com muito perigo à mistura perante as inúmeras tentativas de segurar o bravo toiro, acabou por ser "parado" numa sorte a sesgo pelos Académicos de Elvas. Quatro forcados acabaram por ser transportados ao hospital.
Resumindo e concluindo, perante uma casa com três quartos fortes das bancadas preenchidos, fica para a história a presença na corrida de um fortísssímo curro de toiros, coisa nunca antes vista na vila da Benedita.
Fotos Fernando José e D.R.
![]() |
| Sucesso no regresso da Corrida da Benedita |
![]() |
| Ana Pimenta foi ontem a directora de corrida na Benedita, assessorada pelo médico veterinário José Luis da Cruz, sendo José Henriques o cornetim de serviço |
![]() |
| Quatro forcados foram transportados ao hospital |





