quarta-feira, 1 de julho de 2020

Que é feito dos empresários tauromáquicos? Estão a assobiar para o lado?...

Manuel dos Santos e Alfredo Ovelha: no tempo em que havia
empresários tauromáquicos a sério
Manuel Gonçalves, empresário de Vitórias
Nuno Salvação Barrero (recebendo das mãos de Miguel
Alvarenga um Troféu ao Mérito atribuído pela Real Tertúlia
Tauromáquica D. Miguel I)
António Manuel Cardoso "Nené". Em baixo, Luis M. Pombeiro


Que é feito deles, dos empresários tauromáquicos deste país? Pombeiro é o único herói que deu um passo em frente e anunciou a primeira corrida pós-desconfinamento, mesmo ainda com a limitação de ter que usar uma muito menor lotação da praça? Afinal, onde estão os outros?

Miguel Alvarenga - Alguns andavam excitadíssimos e projectavam dar corridas televisionadas sem público nas bancadas. Ficaram irritadíssimos quando Luis Miguel Pombeiro foi um dos poucos (e eu também) a manifestar-se contra esses espectáculos contra-natura.
Depois sairam as normas da DGS, cheias de restrições e de limitações, permitindo apenas a utilização de um terço ou um quarto da lotação das praças - e recuaram todos. Que não dava lucro, que era inviável, que assim não podia ser.
E Pombeiro voltou a estar na linha da frente. Com um terço, com um quarto, com o que for, deu um passo em frente e disse: "Não podemos parar!" e "Resistiremos!". Disse e fê-lo.
Anunciou para 11 de Julho a primeira corrida de reabertura mundial da Cultura Tauromáquica em Estremoz. E prometeu mais, nas outras praças que gere (e são seis!). 
A seguir, veio a dupla José Maria Charraz/Tiago Graça anunciar também uma segunda corrida para 19 de Julho em Moura.
E os outros?
Continuaram a recuar, alguns mesmo houve que, pura e simplesmente, cancelaram as corridas nas suas praças em 2020, preferindo só retomá-las no próximo ano, quando, pensa-se, a situação já esteja normalizada.
Agora apareceu nova luz ao fundo do túnel. Na reunião de ontem no Ministério da Saúde, que juntou frente-a-frente o secretário de Estado da Saúde, o inspector-geral da IGAC e o presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, ficou estabelecido que as normas da DGS serão rectificadas e se passará a poder utilizar 50% das lotações das praças, salvo naquelas que não reunem as condições mínimas de garantia para a saúde pública e o bem estar de todos (que são pouquíssimas). Para Agosto está agendada nova reunião onde se espera que a limitação do uso de lugares nas praças volte a ser alterada e passe para os 75%
E com mais razões ainda para o fazer agora, pergunto: onde estão, afinal, os empresários tauromáquicos deste país? Que mais corridas estão anunciadas, para além das de Pombeiro e de Charraz/Graça? Onde estão agora aqueles que queriam dar touradas televisionadas sem público? Encolheram-se, esconderam-se, preferiram assobiar para o lado?
Pombeiro e os empresários de Moura são os únicos heróis? Mais nenhum se chega à frente?
Sei que Rui Bento projecta corridas, mesmo que poucas, na Nazaré e em Almeirim. Sei que Ricardo Levesinho projecta dar duas corridas na Feira da Moita e outras duas na de Outubro em Vila Franca e ainda uma na Figueira da Foz. Oiço dizer que se vão realizar corridas na Barquinha, que podem realizar-se uma ou duas corridas na Feira de Alcochete e outra em Reguengos de Monsaraz. E pouco mais. E o Campo Pequeno, o que se passa afinal? Sim ou sopas?
2020, por obra e desgraça do vírus maldito, é um ano para esquecer - todos o sabemos e todos o reconhecemos. Nem os empresários, nem os toureiros, nem os ganadeiros vão ganhar dinheiro. É um ano de sacrifício e de resistência - para que a Festa não morra e a sua chama se não apague. Mas é preciso que os empresários - e os toureiros e os ganadeiros - se cheguem à frente, como fez Pombeiro e como fez a dupla que gere a praça de Moura.
Pergunto: como seria se ainda houvesse empresários a sério como Manuel dos Santos, como Alfredo Ovelha, como Manuel Gonçalves, como Nuno Salvação Barreto, como António Manuel Cardoso "Nené", para citar apenas estes? O que é que eles estariam a programar e a idealizar para avançar com a Festa para a frente neste tempo de crise e incerteza?
Não sei, mas quase adivinho, porque os conheci bem. Mas uma coisa sei: não tinham enterrado a cabeça na areia, não tinham cancelado a temporada nas suas praças. Alguma coisa haveriam de estar a fazer. 
Como Pombeiro fez. E como a dupla de Moura também fez.
Que é feito dos outros?...

Fotos D.R., M. Alvarenga, Marques Valentim e Maria Mil-Homens