Decididamente, João Salgueiro esteve ontem em "noite não" na "Palha Blanco" e António Ribeiro Telles arrasou, com três das melhores actuações que lhe vimos este ano, vencendo claramente o mano-a-mano com o toureiro de Valada. Numa temporada que se pretendia "diferente" e acabou marcada por "altos e baixos", Salgueiro perdeu ontem o confronto com Telles, depois de em Agosto também haver perdido em Alcochete no mano-a-mano com Rouxinol. A estratégia era boa e estava bem delineada. Nem tudo correu de acordo com o que tinha estipulado. Salgueiro vai ter agora que rever a situação e encarar a próxima temporada "noutro estilo". Ontem em Vila Franca, o "Morante do toureio a cavalo" não esteve nos seus dias. Pela clareza de apreciação e pelo aval que nos merece, aqui reproduzimos, com a devida vénia, a crónica de João Cortesão dada hoje à estampa no blog "sortes de gaiola" (mais logo, não perca a grande reportagem fotográfica de Emílio de Jesus):
Público - Três quartos de casa. Os
toiros Palha quanto ao comportamento cumpriram. Viveram-se ontem
grandes momentos na "Palha Blanco". O público estava exigente e os
toureiros tiveram que se arrimar, porque foi uma corrida em que os toiros não
permitiam facilidades - como se esperava - e tinham o seu sítio e a sua
distância, e os cavaleiros tiveram que os entender e dar-lhes lide adequada.
António Ribeiro Telles - O seu triunfo é
redondo. Não falhou um ferro, lidou correndo os toiros à portuguesa, dobrando-os
só quando rematou as sortes ou quando os queria deixar em sorte, numa
demonstração plena do toureio à portuguesa de quando os toiros não eram
"murubes".
Nos compridos, deu um recital do toureio
à tira, com a técnica que esta sorte exige quando bem desenhada.
A lidar não o podia ter feito melhor.
Terrenos e distâncias correctas sucederam em conformidade, e a emoção de levar
o toiro à garupa como se andasse a lidar no campo, foi o reflexo de um homem
que sabe mexer no gado e que tem calibradas as potencialidades das montadas.
Nos curtos apresentou três variantes da
sorte que perfilha desde que começou a tourear. No primeiro toiro com o
"Veneno" toureou mais em curto, reduzindo a velocidade no momento da
reunião e aguentando a investida, dando aos ferros emoção e a espectacularidade
que já vinha do cite brilhante do cavalo.
No segundo toiro com o
"Ojeda", desenhou a sorte com ligeira batida, juntando assim ao
momento da reunião um temple diferente, porque mais acentuado, que o público
apreciou sobremaneira.
No terceiro toiro sacou o
"Rondeño", e ao contrário do toureio de ataque que normalmente exibe
com este cavalo, deixou-se ver e deu primazia ao toiro, arredondamdo-se o
cavalo no momento da sorte, como nunca lhe tinha visto...
António Ribeiro Telles, fiel ao seu
registo de Toureio, apresentou ontem na "Palha Blanco" nuances que
valorizaram a sua arte.
João Salgueiro - Decididamente, ontem
não era o seu dia. Até começou bem com três bons curtos no "Mon
Cheri" (ferro Ortigão Costa) e teve ainda bons ferros compridos na
"Natia" no segundo e terceiro toiros.
Nas bandarilhas é que as coisas não
correram por aí além. No primeiro toiro, o cavalo com o ferro Ramón Serrano não
aguentou com o toiro, vindo mesmo a ser colhido violentamente. Vários ferros
inexplicavelmente falhados no segundo e terceiro toiros marcaram a noite de
ontem deste grande toureiro, que enfrentou ainda um público tão exigente que
nem reagiu às piruetas do "Zamorino"...
A sua passagem pela "Palha
Blanco" não mancha a época extraordinária que teve, mas nesta noite, uma
noite "à Salgueiro" tinha sido a cereja em cima do bolo (entenda-se
como bolo a época 2012).
Grupo de Vila Franca - Uma noite com
problemas que o prestigiado grupo resolveu.
De salintar uma noite inspirada do
rabejador Carlos e o azar da lesão desse grande forcado que é Bruno Casquinha.
João Cortesão
Foto João Costa Pereira

