Entrevista de Miguel Alvarenga
- Lourenço, fale-me do significado, para si e para a sua família, de vir esta quinta-feira ao Campo Pequeno comemorar os 70 anos da fundação da ganadaria.
- São 70 anos, penso que isso reflecte só por si a importância da data. Levar um projecto por diante durante 70 é algo extraordinário, e se a ganadaria começou nos anos de ouro do toureio em Portugal, ao ter 70 anos sabemos que evoluiu em paralelo com as crises taurinas que têm exisitido. E assim mesmo chegamos a esta celebração, traduzindo um projecto nascido de um sonho de dois irmãos, que foi consistente ao longo de mais de 70 anos - foi em 1946 que foi fundada a ganadaria e apresentada na praça de Setúbal a 17 de Setembro de 1950.
- A estreia foi numa corrida mista, não foi?
- A apresentação da ganadaria, que marca o seu aniversário, aconteceu na praça "Carlos Relvas" com um belíssimo cartel para a altura, numa corrida mista de beneficiência: Simão da Veiga e João Branco Núncio, e a pé Carlos Arruza e Manuel dos Santos, que foi quem lidou o primeiro exemplar de Vinhas.
Este projecto de Manuel e Mário Vinhas foi tão consistente que estamos aqui, prestes a trazer à primeira praça do país, o único encaste de Santa Coloma a pastar em Portugal, e para a família tem particular importância que a corrida do Campo Pequeno seja mista, uma vez que os nossos toiros têm mantido uma linha para o toureio a pé desde sempre, como se nota no cartel inaugural da nossa divisa.
E em 1972, a 25 de Junho, lidámos pela primeira vez em Madrid, numa Goyesca, o que foi um momento de franca emoção e uma data chave para a evolução da ganadaria. Sendo que os triunfos em Espanha continuaram, nomeadamente em Barcelona e Palma de Maiorca.
- Expectativas para quinta-feira...
- As expectativas para uma corrida que não só se realiza na praça mais importante de Portugal, mas também é a corrida que celebra os 70 anos da ganadaria Vinhas, é algo que gera ansiedade, mas fortalece-nos saber que temos muitas horas por dia, 365 dias por ano, a cuidar de um encaste que no campo é garantidamente duro. A bravura, todos sabemos, é uma carta fechada, contudo o empenho que temos há mais de 70 anos nesta ganadaria é uma carta aberta. Preservamos um encaste específico, maneamos os toiros para que tenham a apresentação ideal deste encaste e tentamos vacas com toda a atenção para cruzar com os sementais, da forma que acreditamos pode tirar os melhores resultados.
- São, pelo que sei, seis toiros sérios e muito bem rematados, quatro para as lides a cavalo e dois para as lides a pé. Fale-me deste curro.
- Este curro especificamente, tem sido a menina dos nossos olhos há já meses. Temos dois toiros para o matador que traduzem duas apresentações distintas dos Santa Coloma para a lide pé. Os outros quatro representam bem a linha clássica que temos tirado para o toureio a cavalo. Nas pegas sabemos que são toiros com que os grupos em praça podem luzir-se.
Para nós também é importante saber que António João Ferreira reaparece no Campo Pequeno com um curro nosso, depois da sua tremenda colhida o ano passado, naquela mesma praça. E sabemos em primeira mão que ele está preparadíssimo para mostrar todo o seu valor, uma vez que esteve a lidar três vacas, das nossas duas linhas, no âmbito da sua preparação para esta corrida.
Por outro lado, haver duas lides a cavalo a cargo do Maestro António Ribeiro Telles é algo que nos honra muito e ter para os outros dois touros o jovem Francisco Palha, que tem somado triunfos praça atrás de praça, é muito entusiasmante.
Fotos Mónica Mendes e D.R.


