segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Morte do narcotraficante mais procurado desencadeia onda de violência no México: Rui Bento e Daniel Luque "fechados" em hotel em León

Rui Bento e a equipa do matador espanhol Daniel Luque (ambos nas fotos de cima) estão desde ontem "fechados" num hotel na cidade de León, na sequência dos violentos incidentes que estão a decorrer em alguns Estados do México depois de as autoridades terem abatido a tiro numa operação em Tapalpa, Jalisco, o procurado Nemesio Oseguera Cervantes "El Menco", fundador e líder máximo do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), referenciado como o maior traficante de droga do país.

O golpe policial constituiu uma grande vitória na longa e interminável batalha contra o narcotráfico, mas desencadeou uma resposta imediata do crime organizado, que criou o caos em várias cidades mexicanas, com actos de violência sem precedentes, desde bloqueios de estradas a veículos incendiados e tiroteios nas ruas.

As autoridades e várias embaixadas aconselharam os cidadãos a não saírem à rua e a ficarem em suas casas.

Oseguerra Cervantes, de 59 anos, um dos criminosos mais procurados pelas autoridades mexicanas e norte-americanas (que ofereciam 15 milhões de dólares, cerca a de 12,7 milhões de euros ao câmbio actual, por informações que pudessem levar à sua captura), foi morto por militares numa operação desencadeada em Tapalpa, 130 quilómetros a sul de Guadalajara, capital do Estado de Jalisco. A sua morte é um dos golpes mais duros desferidos ao narcotráfico desde a prisão dos fundadores do cartel de Sinaloa, Joaquim Guzmán "El Chapo" e Ismael "Mayo" Zambada, detidos nos Estados Unidos.

O cartel de Oseguera Cervantes foi formado em 2009 e tornou-se um dos grupos de narcotraficantes mais violentos do México, de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América.

A morte de Oseguera Cervantes desencadeou uma onda de violência brutal e assustadora. 

"Só se ouvem sirenes e carros de polícia e de militares a passarem na avenida do hotel onde nos encontramos. Está tudo em pânico, aqui temem muito o que possa fazer esta gente deste grupo de narcotráfico que era liderado pelo homem que foi abatido. Vamos aguardar com calma... só tinha visto coisas assim no cinema..." - diz-nos Rui Bento, que desde ontem se encontra, como ele mesmo diz, "encerrado" no hotel em León com a equipa do matador espanhol Daniel Luque.

"Daniel Luque tinha toureado no sábado em León, onde ainda nos encontramos, onde saíu em ombros com o matador mexicano Diego San Román e ontem estávamos de saída para Guadalajara, onde toureava, e à entrada de Jalisco pararam-nos e mandaram-nos para trás, voltámos para León e estamos no hotel, sem nos podermos mexer daqui..." - acrescenta.

A corrida em Guadalajara foi cancelada, assim como outros festejos que estavam anunciados para o dia de ontem no México - entre os quais a corrida mista do Carnaval em Rio Grande, onde actuava o jovem cavaleiro luso-mexicano André Gonçalves (cartaz em baixo).

Rui Bento e a equipa de Daniel Luque (toureiro de que é apoderado desde que assumiu as novas funções na empresa mexicana FIT) têm viagem marcada para Madrid esta quarta-feira, aguardando agora que a situação acalme e possam viajar de regresso à Europa.

"Isto não está fácil e o clima é assustador. Repito: nunca tinha visto nada assim, só em filmes. Vamos aguardar com calma e serenidade..." - remata o antigo matador.

Fotos Juanelo e D.R.