sábado, 27 de junho de 2026

Muito ambiente, grande entusiasmo: praça cheia no Montijo!

Ventura e António Lopes Cardoso (Apos. Moita), na foto com 
o Provedor da Santa Casa e o Presidente da Câmara, ganharam
os prémios que estavam em disputa: melhor lide e melhor pega

Faltou, e foi pena, a emoção do toiro-toiro, mas sobrou a arte dos toureiros na nocturna de São Pedro que ontem encheu a Monumental do Montijo à antiga, com um cartel de estrelas - Rui Fernandes, Diego Ventura e João Ribeiro Telles.

Lidaram-se seis toiros da ganadaria Ribeiro Telles, escassos de forças e de transmissão, que serviram, mas acabaram por retirar brilhantismo ao labor dos artistas. É pena que estas coisas aconteçam...

Diego Ventura ganhou, pela lide do quinto, o prémio que tinha o nome do saudoso José Samuel Lupi e que estava em disputa para distinguir a melhor actuação a cavalo. Sofreu no primeiro toiro aparatosa colhida e queda, como, aliás, acontecera da última vez em que aqui actuou, felizmente sem consequências graves, mas deu a volta à falta de qualidade do oponente para conseguir agradar ao público - "lutou" com um toiro que não lhe deu opções.

No quinto, certamente picado pelos triunfos de Rui Fernandes, puxou dos seus galões e viu-se o verdadeiro e único Ventura, cavaleiro de uma galáxia estranha e diferente, número-um indiscutível da arte do toureio a cavalo.

Rui Fernandes enfrentou dois toiros que também não tinham a transmissão que se quer e que, por isso, pecaram pela falta de emoção. Mas Rui empregou-se, entregou-se, foi autor de duas lides de valor e arte, a afirmar a verdadeira dimensão do seu toureio de verdade, de maestria e de raça.

João Ribeiro Telles teve pela frente nesta noite os mesmos problemas e as mesmas barreiras dos seus companheiros de cartel, isto é, a falta de grande matéria prima para um daqueles brilharetes a que nos habituou. Mas esteve superior, recusou determinante ser ali um mero espectador do duelo triunfal entre Fernandes e Ventura. A sua actuação frente ao terceiro toiro da noite foi, muito provavelmente, o grande momento da corrida. João Telles foi ao Montijo para mostrar que está na frente!

Pese embora a ausência de emoção pela pouca colaboração dos toiros, corridas destas fazem falta e animam a temporada. A Monumental do Montijo, naquela que é a sua data forte, a das festas de São Pedro, encheu como antigamente, houve ambiente, houve calor e entusiasmo. Faltou aquilo que é mais importante: a verdade do toiro-toiro... mas não se pode ter tudo!

Triunfaram os toureiros - porque se esforçaram para puxar por toiros que queiram e não podiam, por falta de forças na maior parte das vezes. Triunfou o empresário José Maria Charraz, porque apostou num cartel forte e caro - e ganhou claramente essa aposta. E triunfou a tauromaquia, porque o entusiasmo e o ambiente que ali se viveu são a moldura que se quer para qualquer corrida.

Pegaram os forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e do Aposento da Moita, o que causou alguma polémica nos dias que antecederam a corrida, com críticas nas redes sociais à falta de cumprimento do que está estipulado "por lei": a presença dos dois grupos da terra na data tradicional de São Pedro. Faltaram os Amadores do Montijo...

Pelos forcados da Tertúlia pegaram Diogo Oliveira (à primeira), Pedro Tavares (à primeira) e Wilson Gomes (à segunda).

Pelos moitenses foram forcados de cara o cabo Luis Canto Moniz (que brindou a Ventura e consumou ao primeiro intento), André Silva (à segunda) e António Lopes Cardoso, autor de uma grande pega ao segundo intento, que ganhou o prémio com o nome do grande e saudoso forcado José Luis Horta "Maxinó" - que estava em disputa para a melhor pega da corrida.

O júri que atribuiu os dois prémios (melhor lide e melhor pega) era composto por Vasco Ribeiro, Nuno Santana e Abel Correia.

A corrida foi bem dirigida por Ricardo Dias, assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz.

O empresário anunciara inicialmente uma segunda corrida para este domingo, mas anulou-a. A próxima no Montijo será em Setembro e, salvo alguma alteração, terá cartel composto pelos três Rouxinóis (Luis, Luis Júnior e o jovem amador Simão, que este ano se estreou nas arenas), por Gilberto Filipe, Filipe Gonçalves e António Telles filho.

Fotos D.R., Touradas/Facebook, Diego Ventura Oficial, João Silva, Pedro Batalha e António Paulo Xavier/Bien/Facebook/José Charraz



Monumental do Montijo cheia, como nos tempos antigos!



Público ao rubro com dois grandes triunfos de Rui Fernandes


É tudo diferente quando Ventura está "em palco"!


João Telles não foi lá só para "ver" o duelo Fernandes-Ventura...
a sua primeira lide, no terceiro toiro, foi um assombro! Nas fotos,
o cavalo "Gaiato", ferro Coimbra, a estrela da noite!
Diogo Oliveira (Tertúlia) na primeira pega da noite
Canto Moniz (cabo do Apos. Moita) brindou a segunda
pega a Diego Ventura
Pedro Tavares (Tertúlia) na terceira pega
André Silva (Apos. Moita) na quarta pega da noite
Quinta pega: Wilson Gomes (Tertúlia do Montijo)
António Lopes Cardoso (Apos. Moita) ganhou o
prémio em disputa pela sexta pega da corrida