quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Califórnia: Paulo Jorge Ferreira despede-se das arenas a 14 de Setembro em Gustine

Narciso Bettencourt - Vai despedir-se das arenas da Califórnia o cavaleiro Paulo Jorge Ferreira.

Depois de 21 anos desde a sua chegada aos Estados Unidos da América, despede-se das arenas aquele que, sem dúvida, revolucionou a forma de estar e de tourear na Califórnia.


Quer se goste mais ou menos, é impossível negar a importância que Paulo Jorge Ferreira teve na evolução da tauromaquia californiana. Há 21 anos, George Martins teve a visão e a coragem de apostar num jovem cavaleiro de Azambuja e de o levar para a sua casa, o tempo viria a provar que essa foi uma das apostas mais certas e mais influentes das últimas décadas na tauromaquia daquele estado.


Paulo Jorge Ferreira levou consigo muito mais do que a arte de montar e tourear, levou conhecimento, exigência, humildade, espírito de trabalho e uma vontade permanente de aprender e de ser melhor no dia seguinte. Com a sua forma de estar e de trabalhar, ajudou a transformar uma tauromaquia muitas vezes marcada pelo “espeta e foge” numa tauromaquia muito mais próxima daquela que se pratica nos Açores e em Portugal Continental.


Começaram a surgir cavalos de maior qualidade, preparados não apenas para permitir ao cavaleiro cravar, mas sobretudo para lidar o toiro com qualidade, permitindo a construção de lides mais sérias, mais completas e mais dignas do espectáculo taurino.


Mas a sua influência não ficou apenas pelas arenas.


Paulo Jorge Ferreira construiu, para o seu patrão, uma coudelaria de enorme nível e qualidade, com uma dimensão que chegou a alcançar reconhecimento internacional. Aquilo que começou por ser uma necessidade de criar e preparar cavalos de qualidade acabou por se transformar numa coudelaria auto-sustentável, capaz não só de deixar de depender da compra de cavalos no exterior, mas também de produzir animais que despertaram o interesse de algumas das maiores figuras do toureio equestre mundial, como Pablo Hermoso de Mendoza, Rui Fernandes e Diego Ventura.


Ao longo destes 21 anos, foram muitas as histórias, os cavalos, os toiros, as praças e, sobretudo, as pessoas que cruzaram o seu caminho.


Vai despedir-se o cavaleiro.


Vai despedir-se o toureiro.


Mas, acima de tudo, vai despedir-se das arenas um homem de enorme personalidade, sério, trabalhador e de palavra. Um homem que, ao longo de mais de duas décadas, ajudou muitos dos que atravessaram o Atlântico para tourear nos Estados Unidos da América, colocando à disposição o seu conhecimento, os seus cavalos, a sua experiência e, muitas vezes, simplesmente a sua amizade.


Paulo Jorge Ferreira deixa as arenas, mas deixa também uma marca que dificilmente será apagada.


Porque há homens que passam pelas praças e deixam recordações.


E há outros que passam pela história e deixam um legado.


Paulo Jorge Ferreira deixa um legado.


Um legado de 21 anos de trabalho, dedicação e paixão pelo cavalo, pelo touro e pela arte de tourear a cavalo.


E quando um dia as luzes das arenas se apagarem definitivamente para o cavaleiro de Azambuja, ficará aquilo que verdadeiramente importa, o respeito de quem viu, acompanhou e reconheceu tudo aquilo que foi construído ao longo destes 21 anos.


Obrigado, Paulo Jorge Ferreira.


A Califórnia ficará para sempre ligada ao teu nome.


Foto Luis Mourato/Arquivo

Gustine, 14 de Setembro - o
cartaz da corrida de despedida
de Paulo Jorge Ferreira