![]() |
| Mestre António Telles foi profeta na sua praça de Coruche |
![]() |
| Francisco Palha em três momentos das suas lides |
![]() |
| Momentos de Luis Rouxinol Jr. ontem em Coruche |

Coruche cumpriu ontem a sua tradição de 17 de Agosto com uma grande corrida de praça cheia e homenagem ao campino. João Galamba viu assim a tarde e aqui fica, com a devida vénia, a crónica que escreveu no site tauronews.com
E que melhor homenagem se podia prestar ao Campino, que foi encher a Monumental Praça das margens do Sorraia, com uma moldura humana, em tarde de calor, pena foi que as expectativas se ficaram pela mediania, um tanto por culpa da falta de transmissão, dos pupilos da casa Ribeiro Telles, bem apresentados é certo, com pesos que oscilaram entre os 520 e os 580 quilos, mas com pouca “xispa” e alguns escassos de forças.
No início da corrida, foi também prestada homenagem póstuma a dois forcados dos amadores de Coruche, recentemente falecidos, Luís Frazão Pereira e Joaquim Gonçalves, com quem tive o prazer de ombrear, muitas tardes e noites e que hoje tiveram o seu lugar nas cortesias e a certeza que o seu Grupo nunca os esquecerá.
António Ribeiro Telles, um “Mestre”, carregado de saber e com um coração do tamanho do mundo, despachou os seus dois adversários com duas lides muito redondas, sendo a segunda de maior compromisso, pois o público assim o exigia, andou por todos os terrenos, cravou ferros de belo efeito em reuniões cingidas, bem ao gosto do público que nunca lhe regateou aplausos, escutou os acordes da banda de serviço, embora no seu primeiro, um pouco tardio, vá-se lá saber os critérios do senhor diretor de corrida.
Francisco Palha tarda em romper, com um triunfo daqueles que se ouvem em todo o lado, cuidadoso na preparação das sortes, criterioso na escolha dos terrenos, mas por vezes as coisas não acontecem, como se deseja e a apatia de quem está nas bancadas, não será certamente o que se deseja. Duas actuações de compromisso, premiadas com música e volta à arena no final foram prémios mais do que merecidos, mas soube a pouco, há que aguardar e nunca desistir.
Encerrava a terna o jovem Luís Rouxinol Jr., um valor já reconhecido pelo publico, também ele se esforçou para conseguir alcançar o êxito, já que a competição estava ao rubro e os seus alternantes tinham estado num plano superior, por isso havia que pôr a carne toda no assador, ou seja jogar todos os trunfos, contudo, as coisas, nem sempre chegaram às bancadas, com a força desejada, mesmo assim, conseguiu duas brilhantes atuações, sendo que a segunda esfriou bastante, pois o murlaco tardou uma imensidão de tempo em recolher a currais, quase que fazendo esquecer o que momentos antes se tinha desenrolado na arena.
O Grupo de Forcados Amadores de Coruche, em tarde festiva e de sentidas homenagens, teve uma tarde acertada, porém, há sempre forma de superar e nisto da forcadagem, não há duas pegas iguais, nem dois toiros que invistam da maneira igual. O cabo José Tomás deu o mote e abriu praça com uma rija pega ao segundo intento, fruto de uma reunião dura e alta. Para o segundo da ordem, foi escolhido Tiago Gonçalves, que apenas fez uma tentativa, saindo lesionando e sendo substituído por João Laranjinho, que apenas precisou de mais uma tentativa para resolver o assunto. Fábio Casinhas, à primeira tentativa pegou o terceiro da ordem. O quarto foi pegado por Roberto Graça, à segunda tentativa. Para pegar o quinto foi escolhido João Ferreira Prates, que à primeira tentativa, resolveu a papeleta, levando consigo na volta o primeira ajuda, Marco Mendes (Marinhais), que aproveitou a efeméride, para dizer adeus às arenas. Encerrou a participação dos Amadores de Coruche, António Tomás, ao segundo intento, bem ajudado por Fernando Ferreira.
Nota especial para os campinos João Inácio "Janica" e para o "Café" da casa Telles, que recolheram todos os toiros a cavalo, coisa que vai rareando, nas nossas praças, com uma maestria impressionante, ou não fosse o dia dedicado ao Campino.
A direção da corrida esteve a cargo do delegado Marco Cardoso, assessorado pelo médico veterinário Hugo Rosa e pelo cornetim José Henriques, abrilhantou o espectáculo a Banda da Sociedade de Instrução Coruchense, a comemorar os 123 anos da sua fundação.
João Galamba/tauronew.com
Fotos Mónica Mendes








